Exposição. Um Saldanha futurista ou um Rossio inundado são os projetos que vão inquietar os lisboetas

Há robôs humanoides para ver ou até um vídeo projeto sobre as consequências de um tsunami em Lisboa nos dias de hoje. Mas há mais.

Um Saldanha completamente futurista, com água, comboios e ovnis é só um dos projetos que pode ver na exposição que arranca já na quinta-feira, 12 de julho

Futuros de Lisboa

Quando uma imagem futurista do Lisbon Resort Hotel foi partilhada no Facebook, a indignação foi geral. Depois de muitos comentários e mais de 900 partilhas que criticavam abertamente o projeto, a verdade é que muito poucos tinham percebido o que ia acontecer no Terreiro do Paço, em Lisboa.

Numa altura em que cada vez mais se fala da gentrificação da cidade, foram vários os utilizadores que reagiram de cabeça perdida ao ver a Praça do Comércio, em Lisboa, transformada num resort de luxo repleto de residências privadas. “Dia cheio com o conservadorismo a ganhar, os patrões a celebrar e Bruxelas a triunfar!”, lê-se numa das partilhas da publicação original.

No entanto, este é apenas um dos projetos inseridos na exposição Futuros de Lisboa, que começa a 12 de julho e vai ocupar dois pisos do Torreão Poente da Praça do Comércio até 18 de novembro. E vai ser a última naquele espaço antes de o edifício fechar para obras de restauro estrutural.

Há também outras imagens com um certo tom de exagero mas que servem de alerta para as alterações climáticas que vivemos atualmente. Como um Rossio totalmente inundado ou a rua D. Luís I transformada numa espécie de Veneza, cheia de água e com barcos. 

Futuros de Lisboa

Onde? Torreão Poente Praça do Comércio, 1, Lisboa
Quando? 12 de julho a 18 de novembro
Horários? 10h-18h, fecha à segunda-feira
Preços? 3€ (50% de desconto para maiores de 65 anos, desempregados, bilhete de família e cartão jovem). Entrada livre aos domingos de manhã e feriados, das 10h-14h.

João Seixas, um dos comissários do projeto e geógrafo, esteve presente na apresentação da exposição à imprensa e diz que o objetivo passa por “apresentar várias perspetivas de reflexão sobre o futuro de Lisboa.”

“Vivemos num tempo de mudança, onde as pessoas se sentem cada vez mais inquietas e até distópicas. É com isso em mente que queremos interpelar o visitante a construir as suas próprias questões acerca do presente e do futuro, mas sem parecermos tendenciosos”, continua.

Ao longo das várias salas podem ser vistos 13 ensaios sobre os mais variados temas. Alguns projetos são individuais, enquanto outros são colaborações entre artistas, arquitetos e alunos de várias escolas do País.

Numa das salas, por exemplo, o foco está em objetos que num futuro não tão longínquo assim poderão ser úteis para melhorar a qualidade vida dos cidadãos — como cascas ultra finas de betão que permitiam criar estruturas mais flexíveis mas com a mesma qualidade a nível de rigidez e segurança.

Os visitantes também vão poder ver um vídeo projeto que mostra o impacto que um tsunami poderia ter nos dias de hoje em Lisboa, desenvolvido pelos alunos do Instituto Superior Técnico. Para João Seixas, este é o exemplo paradigmático de como o futuro nunca se pode prevenir, mas pode ser preparado e antecipado.

Mas não há só exposições para ver. A partir de 15 de setembro também vai haver várias conversas sobre sustentabilidade, ecologia e o futuro de Lisboa com alguns dos ensaístas e autores dos projetos.

A um dia da inauguração, a MAGG esteve no local e mostra-lhe tudo aquilo que não pode mesmo perder nesta exposição.

Texto de Fábio Martins, fotografia de Madalena Traguil.
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