Dia Mundial da Pizza. Fui ajudante de pizzaiolo por um dia e foi mais ou menos desastroso

Deixei cair uma pizza ao chão e queimei outra no forno. Além disso, levei uns 20 minutos para fazer um pedido que geralmente só demora três.

Sou uma pessoa de convicções e acredito que o mundo se divide em dois tipos de pessoas: as que gostam de ananás na pizza e as que acham isso absurdo. Encaixo-me na segunda categoria e acho que tudo o resto é válido desde que a combinação faça sentido — e se calhar também temos de falar dessa história de juntar Nutella às pizzas. É esquisito, ok?

Isto para dizer que gosto de pizza (quem não gosta?) e que é talvez o meu segundo vício a seguir ao sushi. E quando, aqui na MAGG, nos apercebemos que esta terça-feira, 10 de julho, se comemorava o Dia Internacional da Pizza, a loucura foi geral. “Acho que o Fábio devia ser ajudante de pizzaiolo por um dia e relatar a sua experiência”, disse o diretor-geral e publisher da MAGG, Ricardo Martins Pereira.

É importante realçar que a minha única experiência com a confeção de pizzas passava por abrir as que já vinham embaladas dos hipermercados para depois irem ao forno. Aceitei o desafio e aqui na MAGG depressa me puseram em contacto com a Pizzaria Forneria, localizada perto do Parque das Nações, em Lisboa, que desde logo se mostrou disponível para me receber. E recebeu-me muito bem.

Equipei-me a rigor — que é como quem diz, com avental e touca de rede — e fui aprender a ser ajudante de pizzaiolo por um dia. Correu mais ou menos bem. Diria até que foi meio desastroso, tendo em conta a minha falta de jeito para tudo o que são trabalhos que envolvam destreza, coordenação e organização.

Pizzaria Forneria

Morada: Via do Oriente n.º16 E, Parque das Nações

Telefone: 218 039 954 / 933 294 274

Horário: 12h30-15h30 e 19h00-23h00

O primeiro passo foi aprender a esticar a massa. Guiado pelo chef de pizzas, Bikash Gurung, aprendi que o segredo está nos “movimentos longos e continuados”. Sim, porque até aqui eu estava com medo de aleijar a massa com o rolo. Depois foi altura de aprender todas as combinações de ingredientes para as pizzas da carta.

O primeiro pedido que chegou à cozinha consistia numa entrada de Focaccina de Alecrim com Pesto (2,50€) e uma pizza Funghi composta por molho de tomate, mozzarella fior di latte, cogumelos frescos e orégãos (9,90€). O meu primeiro pedido para um cliente não podia ter corrido pior.

A massa não queria esticar, ou esticava demasiado ao ponto de ficar com buracos pelo meio. Frustrado, amassei com talvez demasiada força ao ponto de ficar demasiado fina nas bordas — o que não é suposto, aprendi, já que acaba por queimar facilmente dentro do forno a lenha cuja temperatura varia entre os 300 e os 360 graus consoante a quantidade de pizzas colocadas.

Lá refiz o pedido empenhado em não falhar, e desta vez tudo estava a correr bem. Até pegar na pá para colocar a pizza forno e deixá-la cair ao chão. Eu disse que não tinha grande jeito para este tipo de trabalhos manuais. Sala cheia, pizza no chão, e vergonha. Muita vergonha.

Depois de ter o chão todo coberto de massa, farinha e cogumelos, perguntei ao chef de cozinha se eram erros normais de quem nunca tinha trabalhado numa pizzaria, na esperança vã de obter dele uma qualquer validação.

“Não, não costuma acontecer, mas para a próxima sai melhor.” E adivinhem: não saiu. Depois de refazer pela segunda vez o mesmo pedido, esqueci-me dele no forno. Cada pizza demora, em média, três minutos a ficar pronta independentemente da complexidade do pedido. E é por isso que o serviço é tão rápido na Forneria. Isto, claro, se eu não estiver lá a trabalhar.

Tinham passados dez minutos desde que a pizza estava no forno e nunca mais me lembrei disso, visto que chegaram outros pedidos para fazer. Quando finalmente me lembrei, a pizza estava totalmente preta, queimada e com um cheiro nada agradável.

“Alguém se esqueceu da pizza no forno”, disse o chef. Desculpe chef e desculpe cliente por ter esperado cerca de 20 minutos por um pedido que geralmente nem cinco minutos demora a estar pronto.

Mas depressa me redimi e a certa altura já tudo era tão automático que não tive dificuldades em me ambientar ao tipo de serviço que era feito na cozinha.

Entre bater a massa, colocar os ingredientes na pizza e colocá-la no forno, muitas vezes dava por mim sem nada para fazer dada a velocidade com que despachava os pedidos (vá, eu e os restantes responsáveis). Nem todos os heróis usam capas. Alguns usam rolos de massa, toucas brancas e sabem fazer malabarismos com as pizzas — coisa que não tentei para me poupar à vergonha de acabar com ela na cabeça.

No final, saí com a certeza plena de que se o jornalismo não der certo, pelo menos posso tentar fazer pizzas como profissão. Com mais ou menos desperdício, mas sempre com o jeito de quem é desastrado por natureza.

Texto de Fábio Martins, vídeo de Madalena Traguil.
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