Higiene oral dos miúdos. “Há muitos pais que dão Panrico aos filhos e não sabem o quão mal isso faz aos seus dentes”

Os bebés também devem lavar a boca, a quantidade de pasta deve ser adequada e a alimentação é muito importante. Uma higienista oral explica.

Uma má higiene oral pode trazer problemas não só dentários, mas também cardíacos

Ian E./ Unsplash

Lavar os dentes a um bebé ou criança pode ser um verdadeiro pesadelo para os pais. É um hábito que nem sempre é fácil de incutir, mas que é essencial para a saúde oral dos miúdos. Mesmo  antes de terem dentes.

“As pessoas quando pensam em dentes, pensam em problemas e tratamentos e esquecem-se da prevenção. Essa sim é a mais importante”, explica à MAGG Rita Branco, higienista oral e delegada de propaganda médica nos Laboratórios Pierre Fabre. “Prevenir é a solução para que não haja a necessidade de ter algo para tratar.  E é isto que os pediatras precisam transmitir aos pais.”

E são também os pediatras que têm o papel de informar os pais sobre quais os hábitos de higiene oral adequados a cada bebé ou criança.

Os primeiros dentes aparecem habitualmente depois dos primeiros seis meses de vida do bebé, mas a higienização da boca deve ser feita desde sempre. “A partir do momento em que há fatores externos à boca, é conveniente higienizar as gengivas, pois estas estão constantemente em contacto com o leite, leite com papa ou sopas”, explica.

Quando o bebé é ainda muito pequeno, e não tem dentes, a limpeza deve ser feita apenas com uma compressa húmida, sem recorrer a uma escova, de cada vez que o bebé come. Isto pode durar até no máximo aos dois anos, segundo Rita Branco, apesar de haver várias escovas de dentes no mercado adequadas a bebés a partir dos seis meses.

Além desta, há outras dicas que a higienista oral considera importantes para que seja feita uma correta higiene oral nos bebés e crianças.

  • A escovagem deve ser feita pelo menos duas vezes por dia, de manhã e à noite. Idealmente deveria ser feita de cada vez que a criança come, mas como nem sempre é possível, principalmente se a criança estiver na escola, essas duas vezes devem ser garantidas;
  • A pasta de dentes só deve ser introduzida quando já existem dentes, e com a quantidade de flúor adequada a cada idade. A quantidade de dentífrico usada também é muito importante. Não deve ultrapassar o tamanho da unha do dedo mindinho do bebé/criança, pois só dessa forma se controla melhor para que não haja ingestão do dentífrico;
  • A escova tem que ter um tamanho adequado ao tamanho da boca e dos dentes, ou seja, no momento da compra da escova, deve ter atenção à Indicação da idade e à “cabeça” da escova;
  • A escova de dentes deve ser trocada a cada três meses, por causa da acumulação de placa bacteriana e pela deterioração dos pelos da escova;
  • Ir ao dentista pelo menos duas vezes por ano, para criar um hábito na criança e evitar que se crie o mito de que só se vai ao dentista para tratar um problema e que “o dentista dói”;
  • Lavar os dentes em família. Se tornar este momento divertido e mostrar que também o faz, será mais fácil incutir a vontade e hábito na criança;
  • Não deixar as crianças escovarem os dentes sozinhas, pelo menos até aos seis ou sete anos de idade, pois dificilmente os dentes ficarão bem limpos. Deve haver sempre uma supervisão dos pais.

“Há muitos pais que dão Panrico aos filhos e não sabem o quão mal isso faz aos seus dentes”

A estas dicas há que juntar outro elemento importante: a alimentação. É do senso comum que o açúcar faz mal aos dentes, no entanto, muitas vezes não sabemos a quantidade de açúcar que determinados alimentos têm e damos constantemente às crianças.

“Os refrigerantes são obviamente maus para os dentes, mas não são os únicos. Há muitos pais que dão Panrico aos filhos e não sabem o quão mal isso faz aos seus dentes. E até os alimentos considerados mais saudáveis e que estão tanto na moda como os cereais, as granolas, não se devem dar sem que seja feita uma escovagem logo a seguir. São pegajosos e colam-se aos dentes”, explica a higienista oral.

Outra situação comum ligada ainda ao açúcar, e à importância de lavar os dentes pelo menos de manhã e à noite, é quando os pais têm que dar um xarope aos filhos, que é habitualmente altamente açucarado. Regra geral fazem-no antes de se deitarem ou a meio da noite, e depois não lhes lavam os dentes.

“A criança dorme com a boca fechada, há menos produção de saliva e as bactérias estão mais ativas. O açúcar fica a trabalhar nos dentes a noite toda, o que é bastante prejudicial. Quando isto acontece, é ainda mais importante lavar os dentes logo de manhã.”

A sociedade atual em que vivemos tem em parte alguma culpa da falta de higiene oral das crianças, pois segundo Rita Branco, os pais não têm tempo, nem paciência para estar atentos e dedicarem uma parte do seu dia a isto.

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