Já falamos aqui de marcas de calçado veganas, hotéis sustentáveis e até de cosmética biológica. A preocupação com a saúde e com o planeta faz com que cada vez mais setores se preocupem com a forma de fazer chegar os produtos aos clientes. É certo que é difícil resistir a uma camisola da Primark com uma etiqueta a dizer ‘2€’, mas já não é a primeira vez que são encontradas cartas com pedidos de ajuda e a denunciar casos de escravatura em roupas da marca irlandesa.

A pensar em tudo isso — e ainda com o acrescento de serem os dois veganos — Alexandra Martins e o namorado, André Pinto, criaram a Watch the Frog, uma marca de desporto totalmente sustentável, vegana, ética e de comércio justo. É a única no mundo a responder a todas estas premissas.

“A nossa marca quer mudar a forma como a indústria e os atletas olham para a roupa desportiva”, explica André. É por isso que decidiram apostar em fibras todas elas sustentáveis, feitas com matérias-primas isentas de produtos de origem animal e recorrendo exclusivamente a mão de obra de empresas portuguesas certificadas e livres de exploração humana.

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Por aqui, tudo é pensado ao pormenor. Até as embalagens nas quais são enviadas as peças de roupa podem ser reutilizadas. São feitas de materiais reciclados e pensadas para poderem ser novamente usadas por mais de vinte vezes. O cliente, quando recebe a encomenda, pode devolver a embalagem aos correios de forma gratuita que, por sua vez, a devolvem à Repack, empresa que as fabrica e que pode voltar a usá-las como matéria-prima. Além disso, ao devolver a embalagem, o cliente não só ganha um ponto na caderneta dos amigos do ambiente como recebe um voucher de 10% de desconto numa futura compra em lojas que tenham parceria com a Repack.

Mas há mais. Por cada peça vendida a marca doará um euro (equivalente a uma árvore) à OneTree Planted, uma organização não governamental dedicada à reflorestação do planeta.

Será que todo este lado amigo do ambiente não põe em causa a qualidade do produto, uma vez que se trata de roupa feita especificamente para a prática de desporto?

Tentei passar um dia sem usar plástico. Não passei do pequeno-almoço

Uma das fibras usadas na confeção das peças chama-se Econyl e, apesar de ter todas as características do nylon nornal, é produzido através do resgate de resíduos nos oceanos, como redes de pesca, tecidos, carpetes e plásticos industriais. A outra fibra, o Tencel, é feita de eucalipto e tem como principal característica o facto de absorver a humidade — o que nos parece propositado uma vez que é feita exatamente para momentos de muita transpiração. “Menos costuras, mais conforto, uma segunda pele”, garantem os gestores da marca, que estão neste momento em fase de crowdfunding para começar a produzir em massa a sua primeira coleção, a que deram o nome de Anura Xtreme. Mesmo assim, já é possível fazer uma pré-compra, que serve também como donativo. É até de aproveitar os preços especiais desta fase, que vão dos 11€ aos 45€ (packs a partir dos 50€).

E porquê “Watch the Frog”?

É isso mesmo, “cuidado com a rã”. “A ideia é que todos abram os olhos e vejam o estrago que é causado”, explica Alexandra. Neste caso, a rã assume o papel de planeta, mas a escolha do animal não é aleatória. As rãs, assim como os sapos e as salamandras, são atualmente uma espécie ameaçada (32,4% estão em risco ou mesmo extintos). Quisemos dar um simbolismo real, duro”, refere a fundadora, justificando assim a escolha do logótipo da marca: um escudo com um olho de rã.