Recebeu-nos em casa e conversámos na varanda. Havia a desculpa de ser um dos primeiros dias de calor do ano, mas a verdade é que Tony já nos abriu a porta de maço de tabaco na mão. “É um vício terrível e do qual não me orgulho nada”, admite.

Fuma mais quando está nervoso, “antes de subir ao palco, por exemplo”, porque nem 30 anos de carreira, 23 discos e mais de dois mil concertos dados conseguem camuflar a adrenalina que é cantar para milhares de pessoas. Mas viver “sempre no prego”, como nos diz, também cansa e é por isso que, para desgosto de muitos fãs, Tony vai mesmo fazer uma pausa na carreira. Não é para sempre mas não será uma interrupção curta. “Preciso de parar, de refletir”, admite, mesmo que esse trabalho de reflexão tenha já sido feito para escrever o livro de memórias, lançado em maio pela Contraponto Editores.

"O Homem Que Sou" é o livro de memórias de Tony Carreira, editado em maio pela Contraponto Editores (16,60€)

Numa mistura de textos escritos na primeira pessoa e fotografias tiradas do baú, “O Homem Que Sou” passa em revista a vida de alguém que nasceu numa aldeia a dez quilómetros de Pampilhosa da Serra, viveu separado dos pais, levou um ‘não’ bem redondo da jurada Adelaide Ferreira e foi acusado de plagiar onze músicas. O mesmo homem que tem 60 discos de platina e que esgotou o Olympia, em Paris, três noites seguidas. Falamos com os dois extremos, porque são os dois que contrabalançam um Tony que, na verdade, só pede uma garrafa de água quando sobe ao palco e, no dia da entrevista, estava com a televisão ligada nas notícias para saber as últimas do Lopetegui.

Começa o livro com um elogio aos fãs. Qual foi a maior prova de devoção que sentiu da parte deles?
Tenho um percurso que é quase um conto de fadas, principalmente tendo em conta o ponto de partida, as condições…Há quem tenha outros percursos, mas eu tenho o meu. E perante esse percurso tenho, claro, uma gratidão enorme às pessoas, porque sem elas não teria a vida que tenho. Teria outra, mas se calhar menos simpática. Mesmo nos momentos mais complicados da carreira senti um apoio incondicional. Fiz até uma música “Obrigada por tudo o que me dão” que sei que pelo conteúdo da letra não seria um sucesso, mas que senti que tinha que ser feita para agradecer aos fãs. Dentro dessa canção há uma frase que corresponde à gratidão que tenho com o público que é “Como se eu fosse um filho vocês carregam-me ao colo”.

Talentosos há muitos, em todas as profissões, mas se não trabalharem morrem com o talento.”

Por que é que há tanta gente a gostar de si?
No top 3 das questões que já me colocaram na vida, essa é uma das mais difíceis de responder. Não tenho resposta para ela. Essa é uma pergunta que me começam a fazer quando, em 2002, me começam a chamar de ‘fenómeno’. De repente eu era um fenómeno e durante uns cinco ou seis anos não saía da história do fenómeno. Quase que cheguei ao ponto de pedir para passarmos para outra palavra…

A primeira fotografia do livro é também a primeira fotografia que Tony tem com os pais, ainda bebé

E agora tem outra palavra?
Não tenho.

Continua a ser um fenómeno?
Eu vejo um fenómeno como uma coisa pontual. Mas continuo sem resposta à pergunta que me fez. Para uma carreira a longo prazo tem que haver muito trabalho, muita entrega. A dose de talento tem que existir, mas numa dose não tão forte como a da entrega. Talentosos há muitos, em todas as profissões, mas se não trabalharem morrem com o talento. A prova está quando vemos um Cristiano Ronaldo a ser constantemente o melhor do mundo. É porque trabalha.

Quem são os seus fãs?
São de todos os géneros e de todas as classes sociais. Eu tanto canto no Casino Estoril como na feira da alheira em Mirandela e os públicos são sempre diferentes. Há desde a avozinha maravilhosa à criança, à pessoa que nada mais tem do que amor para dar, à pessoa que está muito bem financeiramente. Há de tudo, mesmo.

E como é que um homem que se diz tímido atua para milhões de pessoas?
Mesmo assim já fui mais tímido. Claro que continuo com receio de subir ao palco, é sempre um bocadinho assustador. Mas cada artista controla esses medos à sua maneira. Uns bebem, outros choram…

E o Tony o que faz?
Tento que não se veja muito, mas para aí nas primeiras três canções estou mais nervoso.

Fuma mais?
Muito mais.

É o seu grande vício.
É sobretudo algo do qual não me orgulho. Gostava de deixar de fumar e quando falo do tabaco falo sempre como sendo algo negativo. Nós, figuras públicas, temos um dever de ser exemplo e eu tento dar um bom exemplo. Mas não sou perfeito e há coisas que faço, mas que digo “eu faço, mas não façam igual”.

E essa timidez da qual falávamos, foi algo que ficou daquele menino de Armadouro?
Claramente. As raízes estão muito presentes nesta minha timidez.

E o que é que há mais desse menino em si?
Ainda há um lado sonhador, um lado de extremos que me leva a ser inteligente e ingénuo. Dou graças a Deus que isso exista, porque é uma forma de envelhecer mais simpática. Gosto de me rir, de fazer rir os outros, gosto de me divertir, de dizer disparates, gosto de ouvir disparates, gosto quando me caricaturam, enfim. E gostava muito de envelhecer com este bom humor.

Já alguém o caricaturou bem?
Há coisas brutais. O Ricardo Araújo Pereira já o fez fantasticamete bem. No tempo dos Contemporâneos, o Nuno Lopes também o fez muito bem. O meu público não acha muita piada, mas eu acho. Quando é feito com o objetivo de maldade e destruição, claro que não acho piada, mas desde que seja feito com talento sim.

A primeira fotografia que tem no seu livro é com os seus pais. Existem mais?
Não. Eu vivia numa aldeia que, apesar dos quilómetros serem os mesmos de hoje, ficava ainda mais longe dos semáforos [risos]. Tinha una seis anos quando a minha madrinha me deu uma camisola linda. Para mim, que não tinha nenhuma, aquela era a mais bonita do mundo. Lembro-me de ir à Pampilhosa da Serra, a dez quilómetros da minha aldeia, só para ir ao fotógrafo tirar uma fotografia com ela.

Com 11 anos, pouco depois de chegar a França

É saudosista?
Não sou muito, odeio o discurso do ‘no meu tempo é que era’, mas acho que o mundo ideal seria um misto daquela época com a de hoje. Neste mundo de hoje, tão rápido, perdeu-se um bocado de magia. Eu lembro-me de ir a um concerto sem saber o que ia ouvir. Agora, se a Madonna começar a tournée em Israel, vais vê-la no dia seguinte a Budapeste ou um ano depois a Nova Iorque e já sabes o que vais ver. Isso tira a magia das coisas e o lado do sonho também se perde aí pelo meio.

O facto de não ter mais fotos com os seus pais também acontece pelos anos em que estiveram fisicamente separados. Alguma vez se sentiu órfão de pais vivos?
Não, por um motivo. A condição que eu vivia na altura na aldeia era a mesma para muitos miúdos. Quase todos os pais tinham emigrado, era uma coisa normal. Acontece o mesmo com o tipo que nasce na guerra e que acha que o mundo todo está em guerra.

Fui para uma vila pequena nos arredores de Paris, mas comparada com a dimensão da minha aldeia aquilo era Nova Iorque.”

Fica alguma mágoa de ter vivido longe dos seus pais?
Sinceramente não. Ficava muito feliz quando vinham no verão, muito triste quando iam embora, mas depois tudo voltava à normalidade. Portugal vivia numa época em que muitos portugueses tinham fugido de Portugal, ou tinham saído da aldeia para ir para Lisboa. Era normal. Há um episódio que me aconteceu na minha primeira viagem ao estrangeiro, a Cuba, quando conheci um cubano, já idoso, e como o achei tão simpático convidei-o para vir beber um café comigo no hotel. Ele ficou a olhar para mim como se eu tivesse vindo de outro planeta e explicou-me que não podia entrar nos sítios que são para turistas e perguntou-me: ‘Em Portugal, os portugueses podem entrar nos hotéis dos turistas?” e eu só respondi “Não sei bem”. De repente fui confrontado com outra realidade que para ele era normal e para mim era impensável. O ser humano adapta-se com muita facilidade a tudo.

E também se soube adaptar a uma falta de afetos?
Era uma questão cultural e não eram piores pais por isso, pelo contrário

Conta no livro que só deu um beijo ao seu pai quando já tinha mais de trinta anos.
A vida era tão difícil que a forma de criar os filhos era outra. Não sei se é melhor hoje quando, por exemplo, vou num avião e vejo um puto irrequieto que bate em tudo e todos e que a mãe acha é que ele está a crescer e que ele só se está a tentar exprimir. Não sei mesmo se será melhor.

Numa altura de dificuldades, França era uma espécie de oásis?
Era mesmo.

Foi tudo o que esperava?
Claro que crias uma ideia, uma imagem na tua cabeça. Quando cheguei, adorei o que vi. Fui para uma vila pequena nos arredores de Paris, mas comparada com a dimensão da minha aldeia aquilo era Nova Iorque. Quando entramos depois na realidade do dia a dia, aí já não é tão fácil. Não falava a língua, tinha os putos a gozar comigo porque viam que não era dali. Isso percebia-se pela forma de estar, de vestir. Foram três meses muitos difíceis, mas o ser humano, e os portugueses em particular, têm um espírito de sobrevivência e uma capacidade de adaptação fantástica. Rapidamente voltei à estaca zero e adorei aquilo.

Já levava a música consigo na mala?
Já levava assim por alto. Mas o momento em que realmente eu digo a mim mesmo que é esse o caminho que quero seguir é quando descubro lá um cantor francês com origem israelita [Mike Brant] e, mais tarde, sem eu procurar, acabei por trabalhar com músicos que trabalharam com ele, algo que tenho como das coisas mais bonitas que me aconteceram. É que eu também tenho um lado de fã.

Em 1979, com a sua primeira guitarra

A primeira vez que subiu ao palco foi no Casino Peninsular da Figueira da Foz. Como é que daí se chega ao Olympia?
Com muito trabalho. Entre o casino em 1988 e o primeiro Olympia em 2000 passou muito tempo, passaram muitos palcos.

De todo o tipo, imagino.
De todo o tipo mesmo. Desde cantar em cima de tanques, ou com uma oliveira ao pé da bateria. Cantar num churrasco, em bailaricos.

E foi num desses bailaricos que conheceu a sua ex-mulher Fernanda.
Foi sim.

Achava que com a Fernanda era para sempre?
O que eu acho é que de todas as festas que existem no ano a que mais gosto é o Natal. [silêncio] Eu não vou responder a essa pergunta e é só por um motivo: não quero alimentar mais notícias sobre assuntos sobre os quais já foi dito tudo o que havia para dizer e sobre os quais já se disseram mentiras suficientes.

Costuma ler e comprar as revistas em que aparece?
Um dia estava eu a desabafar com o Manuel Luís Goucha e a dizer-lhe que estava cansado das polémicas, das revistas, das mentiras e ele diz-me ’Faz como eu, não leias’. Pensei para mim, ‘Olha, não é parvo’ e deixei de ler.

Voltemos então à música. Diz no livro que a primeira vez que atuou enquanto Tony Carreira havia quem achasse o nome um bocado chunga. Não estava seguro de que iria pegar?
Quem faz o nome são as pessoas, o nome em si diz pouco. Mas no meu caso Tony foi automático, na altura todos os Antónios passavam a Tony. Carreira foi ideia do meu produtor, porque achava que o nome funcionava bem em português e em francês.

Alguma vez duvidou da sua qualidade enquanto músico?
Falar depois de um sucesso é fácil e é quase arrogante. Num início de carreia, quem não duvidar ou é arrogante ou é parvo.

E o início da sua carreira não foi fácil. Chegou até a levar um não da Adelaide Ferreira.
Sim, foi no programa E.T. Entretenimento Total, que dava ao vencedor a possibilidade de participar no Festival da Canção. A Adelaide Ferreira deu-me zero pontos. Mas isso é normal, se não houvesse esses nãos, essas barreiras, eu e tantos outros se calhar não teríamos conseguido. É com esses nãos que vemos a força que temos para continuar, para provar o contrário.

Já voltou a estar com ela?
Já.

Falaram sobre esse assunto?
Não. Encontramo-nos anos mais tarde num aeroporto em Zurique e ela perguntou-me se eu lhe fazia uma canção e eu disse que sim. Percebi naquele momento que ela não se lembrava e disse-lhe que tinha uma história para lhe contar. Acabou por não haver canção e acabou por nunca mais se falar sobre isso. Mas eu não levo nada disso a mal. Eu próprio já ouvi alguém cantar, achei que não teria sucesso e de repente é um mega sucesso. Ninguém é dono da verdade.

Em 1993, numa emissão da Volta a Portugal em bicicleta

Lida bem com as críticas?
Nunca é simpático ouvir uma crítica, mas temos que ter a capacidade de perceber se a crítica faz sentido ou não.

E como é que foi lidar com este ano especialmente…crítico?
[risos]

Foi acusado de plagiar onze canções e diz que nada do que fez foi deliberado.
Esse assunto, em termos judiciais, já está resolvido há dez anos. Ponto. Está tão bem resolvido que quando este senhor me vem atacar, a justiça deu-me razão. O processo está arquivado. Esse senhor só veio levantar nevoeiro, nuvens e fogos de artifício, mas por outro motivo: vingança.

As pessoas não são estúpidas. Não me parece que um artista consiga enganar o público durante 30 anos.”

Refere-se a quem?
Apaguei esse nome da minha memória. [assumimos que se refere a Nuno Rodrigues, fundador da Companhia Nacional de Música e autor da queixa]. Mas há uma coisa que tem que ser dita: durante dez meses tanto se falou sobre o tema e quando finalmente a justiça me dá razão, ninguém escreve nada sobre isso. Isso tem um nome, ou vários. É um jornalismo um bocado tendencioso.

Quando na altura se dizia vítima de uma perseguição, era também da parte dos jornalistas?
Há um certo jogo e eu tenho que o entender. A comunicação social tem um objetivo final e, atualmente, muito mais do que informar, quer vender. Falava-se tão mal de um determinado canal televisivo ­– até eu o critiquei – e agora vão todos atrás desse fio condutor. Para isso vou passar a ver o original.

Ainda falando de plágio, há mais cantores portugueses aos quais devíamos estar atentos?
Isso eu vou responder com silêncio. Jamais poderia responder a essa pergunta e jamais seria eu a falar sobre esse assunto.

Nessa altura, sentiu que desiludiu o seu público?
As pessoas não são estúpidas. Não me parece que um artista consiga enganar o público durante 30 anos.

Tony com os filhos, Mickael e David

Conhece os seus fãs?
Claro que sim.

Sabe o nome de alguns?
De muitos mesmos. Os nomes, o nome dos filhos que tiveram entretanto e por aí além. Sou muito próximo do público e sou próximo sem um objectivo final, só mesmo porque tenho um respeito eterno pelo meu público.

Algum deles foi, alguma vez, longe demais?
Nunca senti, mas mesmo que acontecesse eu percebia. Quando comecei a trabalhar com pessoas que tinham trabalhado com Mike Brant eu não parava de fazer perguntas, parecia um puto. Uma vez até me disse ‘Não me faças mais perguntas que eu já te disse tudo, vamos falar de outra coisa’.

E haters, tem?
Na internet tenho muitos e são maravilhosos. Das coisas mais doidas e que mais me fez rir foi uma vez que escrevi no Facebook que ia de viagem para algum lado e vi um comentário a dizer “Não compres é bilhete de volta’. Houve também uma vez um tipo que entrou em minha casa sem saber que era a minha casa e quando viu uma fotografia minha comentou com a pessoa com quem estava ‘”Eh pá, não gosto nada deste tipo’” e a pessoa disse-lhe “Tá calado que estás em casa dele”. Quando me contaram isso fiz questão de o conhecer. Levo isso na boa.

Quando vai fazer um espetáculo, quais são as suas exigências?
A única coisa que exijo são condições de palco para trabalhar. É isso e uma garrafa de água. Não quero saber de frutas tropicais, nem catering nem nada disso.

Mas imagino que seja recebido com mais do que uma garrafa de água.
Sim, às vezes são duas.

[risos] Então é fácil trabalhar consigo?
É difícil. Eu só trabalho com pessoas exigentes e a quem eu peço mil por cento, porque eu também dou essa percentagem. Há malta que trabalha comigo há 30 anos e tem que ser malta tão exigente quanto eu sou.

As mulheres são mais exigentes e eu gosto disso. A entrega de uma mulher é acima da média dos homens.”

Já despediu muita gente?
Por acaso não. E continuo a ter uma ótima relação com 90% das pessoas com quem trabalhei e já não trabalho.

Quantas pessoas trabalham consigo?
Nos concertos somos quase 50. No trabalho do dia a dia são sete e nesse grupo só há um homem.

Gosta de se rodear de mulheres?
As mulheres são mais exigentes e eu gosto disso. A entrega de uma mulher é acima da média dos homens.

E fora do âmbito profissional?
Continuo a gostar mais de mulheres [risos].

Já falamos do Tony patrão, falo-lhe agora do Tony pai. Alguma vez perguntou aos seus filhos se era fácil ser filho do Tony Carreira?
Eu acho que não é mau. Eu gostava de ser filho do Tony.

E é fácil ser pai do Mickael, do David e da Sara?
São boa gente e isso vale tudo.

Anunciou uma pausa na carreira.
Sim. Não quero prolongar a tournée para lá do Altice Arena, em Novembro.

Tem planos para esse período?
Não, nada.

Rodeado de fãs, como sempre

É fácil parar?
Não é fácil mas é necessário. Preciso de refletir, preciso de tempo para mim. Tenho uma vida muito vivida. Vivi em 54 anos aquilo que muitas pessoas não viveram em 70. E adorei. Foi sempre a correr, sempre no prego. Sou cantor de música ligeira com espírito de rock and roll e vivi muito assim, muito intensamente.

Esse concerto vai ser especial?
Gostava que fosse uma homenagem aos trinta anos, com músicas antigas, artistas em palcos. Mas não vou anunciar quais, quero que o público tenha uma surpresa.

Escreve no livro que é possível que acabe sozinho no camarim a perguntar “Quem és tu António?” Já tem resposta para essa pergunta?
Não tenho e nem sei muito bem como vou estar nesse dia. Vai ser um misto de emoções complicadas, mas só quando as viver é que vou saber falar sobre elas. Não vai ser fácil dizer adeus às pessoas.

É um adeus ou um até já?
É um até já. Mas não será uma pausa pequena.