Parece um sapo, tem cores de sapo e até se mexe como um sapo, mas na verdade é apenas uma ilusão ótica de Johannes Stötter que junta cinco pessoas para, em vídeo, dar forma ao anfíbio e testar a velha máxima de que nem tudo o que parece é. Depois de, em 2013, vencer o Campeonato Mundial de Bodypainting, o artista, natural de Itália, virou-se para o digital e desde então que tem ganho reconhecimento depois de algumas das suas criações se terem tornado virais.

Tinha sete anos quando decidiu aprender a tocar violino, mais tarde criou uma banda de música celta chamada os Burning Mind. Aos 40 anos, porém, Johannes Stötter largou a música e dedica-se em exclusivo ao body painting.

“Apesar de a minha adolescência ter sido passada a brincar com os lápis e com as cores, não conhecia a arte de pintar e desenhar no corpo humano”, conta à MAGG. Quando experimentou fazê-lo pela primeira vez, ficou deslumbrado. Foi o impulso necessário para começar a aprofundar uma arte que desconhecia por completo.

“Foi um processo completamente natural e confesso que não houve nenhuma inspiração externa como fotografias ou filmes que apostassem nesta vertente.”

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Foi em 2013 que a ilusão do sapo o tornou conhecido em todo o mundo. Desde então, o artista já desenvolveu mais projetos e todos eles se distinguem pelo nível de complexidade elevado que exigem, desde o momento em que são pensados até serem apresentados ao público.

“Geralmente começo com um simples sketch de uma pessoa numa posição que se assemelhe a um animal específico”. Parece simples? Não é — todo o processo pode demorar entre duas a oito horas, garante o artista.

“Em situações mais complexas e difíceis, que envolvam gerir todo o processo de fotografia e vídeo, bem como as pessoas que vão dar vida à minha criação, pode dar-se o caso de demorarmos uma semana”.

Segundo conta, o mais difícil de uma sessão é garantir que todos os envolvidos respeitem as posições e os ângulos que o artista quer captar — o objetivo é que o produto final seja o mais realista possível.

Consegue adivinhar quantas pessoas estão nesta imagem? O lobo é outra das criações do artista, e conta com a colaboração três pessoas

Johannes Stoetter

“A efemeridade do body painting ajuda-me a desprender das coisas com maior facilidade e a sentir a arte de uma forma mais intensa, mas não tenho dúvidas que há uma mensagem muito forte por trás daquilo que faço, como o simples facto — que me conforta imensa, confesso —, de que o ser humano e a natureza estão intimamente interligados entre si.”

Mas Johannes Stötter não esconde a vontade de querer surpreender quem o segue, daí que aposte tanto no realismo e na precisão das suas criações. “Tento ao máximo testar aquela velha máxima de que nem tudo o que parece é, e a minha ideia passa por surpreender aqueles que são capazes de, depois de ver o meu trabalho, dizer ‘espera lá, afinal são pessoas reais que ali estão?'”