5 dicas que podem salvar a vida do seu animal de estimação

Principalmente no verão, os cães e gatos devem ter sempre água disponível. Mas há outros cuidados a ter, da alimentação até às rotinas.

A água é a melhor amiga dos bichos em dias de maior calor

Jeremy Perkins/ Unsplash

Tente pensar no dia em que sofreu mais com o calor. Aqueles dias de verão enfiado no escritório, as filas na A2 rumo ao Algarve sem ar-condicionado no carro ou até aquele casamento em que o momento das fotografias se prolonga tanto que a sua cara começa a derreter à velocidade do gelo nos copos dos cocktails.

Em todos estes exemplos, é possível controlar os mesmos, dirigindo-se a uma zona mais fresca ou bebendo uma garrafa de água fresca. Mas e se não conseguisse controlar o calor que estava a sentir e dependesse de terceiros para o ajudar? Se está neste momento a pensar em quão desconfortável seria, lembre-se disto — os seus animais de estimação estão sempre nesta situação e dependem de si para viver.

Sim, viver. Não estamos a ser dramáticos ou excessivos dado que, nos meses de verão, o calor pode ser um inimigo mortal dos cães e dos gatos. “Um golpe de calor pode ser uma emergência médica”, conta à MAGG Thierry Correia, médico veterinário.

Considera-se um golpe de calor quando o animal atinge uma temperatura corporal acima dos 40 graus e o seu mecanismo de arrefecimento já não consegue baixar ou manter a temperatura ideal. Desta situação podem decorrer alterações cardiovasculares, nomeadamente a nível da circulação sanguínea e no próprio pH do sangue, e também respiratórias, o que pode conduzir a várias complicações, inclusive até à morte.

Os golpes de calor não são exclusivos dos animais, sendo que também podem ocorrer em pessoas, mas ganham mais importância nos cães e gatos, por exemplo, devido às diferenças do sistema respiratório.

“Os cães e gatos controlam a temperatura corporal de uma forma diferente da nossa”, explica o médico veterinário, salientando que enquanto os humanos têm a transpiração como mecanismo para baixar a temperatura corporal, os animais de estimação não têm essa capacidade.

De acordo com o especialista do Departamento de Comunicação Científica da Royal Canin Portugal, “uma vez que só transpiram pelas almofadas das patas, os cães e os gatos usam o trato respiratório (o arfar ou respirar mais rápido) para se tentarem refrescar ou procuram locais mais frescos para lidar com o calor, podendo entrar em stresse e desidratação com alguma rapidez”.

Agora que estamos a caminhar a passos largos em direção ao verão e às temperaturas mais quentes do ano, damos-lhe cinco dicas preciosas para proteger os seus bichos dos efeitos prejudiciais do calor.

Hidratar em primeiro e último lugar

Thierry Correia recomenda que “tenha muito cuidado com a hidratação, especialmente com os animais mais novos, dado que  se desidratam mais facilmente com o calor”. No entanto, o médico veterinário alerta também para a importância de vigiar os animais com mais idade, que têm uma menor capacidade de hidratação e de controlar a sua temperatura corporal.

Embora não existam quantidades discriminadas, o especialista recomenda que o animal tenha sempre água fresca disponível para beber, sendo que a solução pode passar “por ter vários bebedouros espalhados pela casa para aumentar o consumo de água”.

Mantenha os animais em ambientes arejados

Devido à forma como os cães e gatos libertam o calor (através da respiração), “é importante que os mantenha em ambientes com temperaturas amenas”, salienta Thierry Correia, que alerta para o perigo de deixar os animais sozinhos em locais fechados como carros ou casas. “Ainda que por pouco tempo, pode ser muito perigoso para a saúde dos mesmos”, explica o especialista.

A hora dos passeios pode ter de ser alterada

Esta é uma dica para os donos de cães, dado que os gatos não têm necessidade de ser passeados. No verão, o médico veterinário recomenda que altere um pouco os hábitos do seu cão e “opte por passeá-lo fora dos períodos de maior calor, no início do dia ou apenas ao fim da tarde e à noite”.

Mais refeições, menos quantidade

“O processo de digestão aumenta a temperatura corporal, o que faz com que os animais não ingiram tanto alimento nos períodos de grande calor”, esclarece o especialista, chamando assim a atenção para a necessidade de optar por lhes oferecer “alimentos de fácil digestão, à temperatura ambiente e adequados à idade, raça, atividade física, tendo em conta as suas necessidades nutricionais”.

Nas alturas de maior calor, o ideal é que o animal coma nos períodos do dia mais frescos, pela manhã ou ao final do dia. É também recomendado que se aumente o número de refeições, com menos quantidade de cada vez, prevenindo que entre em subnutrição.

Caso o seu animal sofra um golpe de calor, não entre em pânico

Se o seu cão ou gato passar por um golpe de calor, é muito importante não entrar em pânico, alerta Thierry Correia.

“Os animais de estimação são, por norma, muitos apegados aos donos. E se este estiver muito ansioso eles também vão ficar mais nervosos e agitados. Se já estão a passar por um momento complicado, acrescentar ansiedade a essa situação ainda vai piorar mais o cenário”, alerta o médico veterinário.

Quando o animal  é exposto a altas temperaturas é recomendado que o mantenha calmo e tente arrefecer-lhe a temperatura do corpo, dando-lhe banhos de água fria. Thierry Correia explica que também pode “colocar cubos de gelo nas axilas dos cães e dos gatos para baixar a temperatura, bem como molhar as patas em água fria. De seguida, deve imediatamente contactar o médico veterinário para cuidados adicionais”, conclui o especialista.

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