Santo António. Todos os arraiais da cidade, dos veganos aos da sardinha e música pimba

O mundo está cada vez mais exigente e agora até os Santos Populares em Lisboa se adaptaram a toda uma nova clientela.

O Santo António em Lisboa já há muito que não se restringe ao dia 13. As festas duram todo o mês de Junho

Longe vão os tempos em que Lisboa centrava toda a sua energia numa única noite. Já há muito que a véspera de Santo António se mostrava demasiado curta para pôr em prática todo um ritual preparado para os santos populares. Afinal, há que saber comer uma sardinha sem talheres, não entornar a cerveja nos 50 mil inevitáveis encontrões, encontrar pontos estratégicos para as idas às (inexistentes) casas de banho e ainda atirar-se de cabeça à música pimba cujas letras ficam milagrosamente guardada numa parte do cérebro ainda por investigar e que às vezes dava tanto jeito que pudesse ser aproveitada para coisas realmente importantes.

Não que um “Pai da Criança” não seja importante, e muito menos um kuduro a pedir dança em esquema. Mas vá lá, agora as festas duram todo o mês de junho e não há como aguentar este ritmo até dia 30.

Graças a Santo António já existem alternativas a todos estes clichés de santos populares e, atualmente, há arraiais para todos os gostos e sem esquecer os que, mesmo assim, preferem o tradicional. Fizemos uma revisão à lista de propostas e escolhemos os melhores. Há de tudo, garantimos. Desde festa para quem não come carne, àquela que serve bolas de berlim com recheio de rabo de boi.

Para os que o que só se divertem com Iran Costa

Será que o Saúl vai atirar pega-monstros ao público?

Desta vez não é preciso pagar bilhete nem esperar até à véspera para saber onde vai acontecer a próxima festa. O Revenge of The 90’s volta a animar a noite dos lisboetas que já não dispensam uma festa em que saibam de cor todas as músicas da noite. Afinal, refrões feitos de frases como “É o bicho”, “vou-te devorar” e “crocodilo eu sou” são bem fáceis de decorar.

O “Santos Noventeiro” já tem cartaz fechado e conta com nomes como Pequeno Saúl, Ruth Marlene e os Galão com Coca (seja lá o que isso for).

Onde? 
Jardins do Campo Pequeno

Quando?
12 de Junho, a partir das 15h

Para os que preferem tofu na brasa

Ahhh Santo António, quase que já dá para sentir aquele cheiro da sardinha e da fêvera na brasa, não é? Pois, nem por isso.

O The Food Temple volta a organizar uma festa com “cumbia e som da selva, que chegaram desde o México até a Mouraria”. Pelo menos é o que eles prometem no Facebook.

Por estas escadinhas de um dos bairros mais castiços de Lisboa há quem prefira um barbeque vegano, mas regado com cerveja artesanal e sangria da casa. São veganos mas também são filhos de Santo António.

Onde?
Beco do Jasmim, 18

Quando?
12 de Junho, a partir das 18h

Para os que preferem o caril à sardinha

Apresentam-se como uma alternativa aos santos mais tradicionais e basta olhar para o cartaz dos dias 12 e 13 para ter a prova disso. Durante os dois dias, os Anjos 70 – Núcleo Criativo do Regueirão dos Anjos contam com concertos e dj set de Iguana Garcia, Hélio Morais e Jibóia, entre outros.

Há ainda pintura de murais, live tattoos e um menu que, além de vegan friendly, é feito com comida de todo o mundo, distribuída em banquinhas com pratos do Japão, da Síria, da Índia e de Cabo Verde.

Onde?
Regueirão dos Anjos, 70

Quando?
12 de Junho entre as 18h e a 01h
13 de Junho entre as 15h e as 00h

Para os amigos do ambiente

Este ano, a associação pegou no tema sa sustentabilidade ambiental e do consumo responsável,

Quando pensamos em promover um evento de Santo António esperamos placas com indicações “Há sardinha e bifana” ou até “Ginjinha ou caipinha XXL”. Mas por aqui a publicidade é outra.

A noite de Santo António organizada pela associação Renovar a Mouraria promete cinco coisas: compostagem, copos de plástico reutilizáveis, carvão ecológico, aventais feitos de calça de ganga e senhas de papel reciclado. E é por isso que a palavra ‘arraial’ na Mouraria se escreva com 5 erres: Repensar, Recusar, Reduzir, Reutilizar e Reciclar.

Onde?
Largo da Rosa

Quando?
Durante o mês de junho, todas as quintas, sextas e sábados e, claro, também no dia 12

Para os que não arranjaram babysitter

Está difícil arranjar quem esteja livre para lhe ficar com as crianças numa dessas noites de santos populares não é verdade? Mas calma, há sempre solução e nem todas passam por ter um filho às cavalitas a noite toda, enquanto o outro o puxa pela perna a pedir para ir embora.

Em Alvalade, o terreno está preparado para receber os mais novos. Na tarde do 10 de junho há o espetáculo “O Recreio da Anita” e, seja qual for o espetáculo a decorrer durante o mês, há sempre um parque infantil montado à entrada do recinto.

Onde?
Parque de Jogos 1.º de Maio, entrada pela Rua Silva e Albuquerque

Quando?
De 8 a 17 de junho. O espetáculo infantil é dia 10 às 17h30

Para os que querem Santos servidos por um chef

Vão ser servidos petiscos preparados pelo chef Bernardo Agrela, responsável pela cozinha do Cave 23

Prometem o bailarico “mais supimpa de Lisboa”. A música está garantida, a sardinha assada e o porco no espeto também. O extra desta festa vem em forma de vista sobre a cidade, uma vez que o arraial está marcado para o terraço do hotel de charme Torel Palace, cuja cozinha é comandada desde o ano passado pelo irreverente chef Bernardo Agrela. Não se espante se vir por lá à venda uma das suas especialidades: bola de Berlim com recheio de rabo de boi.

Onde?
Rua Câmara Pestana, 37

Quando?
Dia 12 a partir das 17h

Para os que não querem cá modernices

Sabem aqueles Santos populares sem tofu, vistas sobre a cidade, sem sushi, caril ou copos reutilizáveis? Aqueles Santos de sardinha na mão, copo(s) de cerveja na outra e anca a descer até ao chão porque a música pede? Também os há e o difícil é mesmo escolher o melhor.

Em Alfama vive-se o resto do ano com os olhos postos no Santo António. Não admira que haja, pelo menos, três festas marcadas. A da Sociedade Boa União, no Pátio do Prior, acontece todas as sextas e sábados e, na Rua das Escolas Gerais, o bailarico de dia 12 é organizado pelo Clube do Sargento da Armada. Por aqui, nem os Eramus são esquecidos: no Beco da Corvinha, são 24 dias de festa, de quarta a domingo durante todo o mês, com descontos especiais para estudantes estrangeiros.

Na Bica há sempre festa ou não estivesse já confirmada a presença dos incontornáveis “Pão com Manteiga“. Se preferir nomes mais sonantes e a mesma tradição na forma de festejar, há sempre Campolide, que junta nomes como Toy, Ruth Marlene, Quim Barreiros, Rosinha e Herman José.

Neste último item da lista nem vale a pena escrever quando e onde. As festas em Lisboa duram o mês inteiro e, vá por nós, não andará mais do que meia dúzia de metros na cidade para encontrar o braseiro mais próximo. Na dúvida, siga a música. É pimba, mas ninguém a quer de outra forma.

Partilhe
Fale connosco
Se encontrou algum erro ou incorreção no artigo, alerte-nos. Muito obrigado. martacerqueira@magg.pt