Maquilhagem por etnia. O que usar e como aplicar

Tez rosa, tez amarela, tez castanha. Sabe qual é a sua? E sabe que produtos usar? Uma das mais famosas maquilhadoras nacionais explica-lhe.

"Strobing" é o ato de iluminar o rosto e, segundo Antónia Rosa, as mulheres portuguesas não sabem fazê-lo corretamente

Falar de maquilhagem na Europa, em África ou na Ásia é falar de temas completamente diferentes. A maquilhagem muda de acordo com o tom e o tipo de pele, o que varia também de continente para continente e até de país para país.

Em cada um destes continentes, há diferentes tipos de pele. E o que faz com que se distinga o tipo de pele? A tez.

Falámos com a maquilhadora Antónia Rosa, há 25 anos na área, que nos explicou que há três tipos de tez:

Tez rosa — Típica de quem vive em países com pouco sol, como por exemplo as nórdicas e as russas;

Tez amarela ou laranja — Mais comum na Europa Mediterrânica, na Ásia e nas mulheres ruivas;

Tez escura, castanha, dourada ou preta — Característica das mulheres indianas, africanas e mulatas.

“Depois de se perceber qual a tez da pele da pessoa que vai ser maquilhada é que se define os produtos a aplicar e até o método para aplicar. Maquilhar uma africana, uma caucasiana ou uma asiática é completamente diferente. Mudam as cores, as marcas e as técnicas”, explica.

Para que se perceba melhor do que falamos, dividimos a maquilhagem por etnia, com as principais características e truques para maquilhar cada uma delas, de acordo com as dicas de Antónia Rosa.

Caucasianas

“A pele branca é geralmente mais fácil de controlar, porque há maior homogenia na pigmentação. Como a tez é amarela ou laranja, a base que se deve usar deve ter pigmento amarelo. Já para as mulheres nórdicas e russas, a base deve ter pigmento rosa.” Está dado o primeiro passo para que o resto da maquilhagem corra bem.

Mas mesmo em relação à base, Antónia Rosa alerta que nos países de sol, como é o caso de Portugal, durante o verão, as mulheres não deviam usar base, pois esta produz “efeito estufa” na pele, o que faz com que além de não durar, prejudique a pele. A solução da maquilhadora para corrigir as imperfeições da pele dos dias mais quentes, sem base, é usar corretor de cor. Os corretores verdes são bons para tapar manchas vermelhas e os corretores salmão para disfarçar os tons azuis ou roxos, ou seja, ideais para as olheiras.

Quanto ao iluminador, Antónia Rosa explica que “as portuguesas têm a tendência de aderir a todas as tendências de maquilhagem e agora como se usa iluminadores, enchem a cara de brilho. Erradamente. Para o dia a dia, o iluminador deve ser usado apenas na parte de cima das maçãs do rosto, e devem evitar o queixo e o nariz. Principalmente quem tem rostos mais redondos, porque ficam a parecer ainda mais redondos.”

Para as peles mais comuns, a maquilhadora gosta de usar marcas de luxo como Chanel, Pat Mcgrath, Dior ou Shiseido, principalmente para produtos como pós, sombras e eyeliners.

Asiáticas

“Talvez sejam as mais difíceis de maquilhar, por causa dos olhos. É a única dificuldade, mas que tem que ser bem contornada. Como têm a pálpebra móvel quase inexistente, cria-se mais humidade, o que torna a maquilhagem mais efémera. Tem que se matificar muito bem a pálpebra móvel com um pó solto, trabalhar o olho mais ao nível da raiz das pestanas e seguir a harmonia do olho para o exterior”, explica. E devem usar maquilhagem à prova de água.

Outra característica dos olhos das asiáticas é o tamanho das pestanas. São geralmente muito pequenas e a direito e, por isso, a maquilhadora recomenda que usem óleo de amêndoas doces para massajar na zona das pestanas, pois aumenta a circulação e faz com que ajude no crescimento. Outra solução é a aplicação de extensão de pestanas, uma a uma, principalmente no canto do olho. Quem preferir não usar extensões, pode optar apenas por revirar as pestanas com um revirador elétrico ou manual e usar máscara que garanta espessura à pestana.

A base a ser usada deve ter pigmento amarelo para se misturar bem com o tom de pele.

BlackUp e Shiseido são as duas marcas que Antónia Rosa mais recomenda para as mulheres asiáticas.

Africanas

“A pele africana é muito gordurosa, por isso o ponto número um é: nunca usar produtos com óleo. Uma recomendação que faço para todas as etnias, excepto para quem tem a tez rosa. E, por isso, o ideal é usar sempre uma pré-base matificante antes de qualquer outro produto”, explica.

Segundo Antónia Rosa, a pele negra tem três tons. Na zona da testa o tom é médio, na zona do nariz e bochechas é mais claro e na zona do queixo é escura. E, tendo em conta essas diferenças, a escolha da cor da maquilhagem deve ser feita de acordo com a zona central, ou seja, a mais clara, e acertar por aí.

Neste tipo de pele, podem ser usadas cores muito pigmentadas, para realçar a cor. Como por exemplo um batom de uma cor bastante viva.

“Em relação às pestanas, geralmente, a mulher africana tem as pestanas pequenas, mas muito reviradas, como tal, o que precisa mesmo é de uma máscara apenas para dar expessura à pestana.”

Quanto ao blush, segundo a maquilhadora, este deve ser sempre vermelho, para dar mais luz ao rosto, e nunca o rosa ou pêssego, e aconselha o da Bobbi Brown.

BlackUp é a marca que Antónia Rosa mais usa para maquilhar peles negras, pois tem uma vasta linha de produtos específicos para este tipo de pele.

Indianas

“Como as indianas têm a tez mais escura, o pigmento da base é mais escuro também. Mas há uma grande dificuldade na maquilhagem de uma mulher indiana. Normalmente têm a zona por baixo dos olhos muito marcada e escura, e corrigir essa cor nem sempre é fácil.”

Para Antónia Rosa, a melhor solução para disfarçar estas olheiras, habitualmente cinzentas, é usar produtos para aclarear e corretores em tom laranja ou salmão, pois essas são as melhores cores para corrigir o azul ou cinzento das olheiras.

Também nas peles das mulheres indianas devem ser usados produtos com muito pouca gordura.

Apesar de o tom da pele ser muito importante para definir o tipo de maquilhagem, este não é o único fator. O feitio do rosto, por exemplo, é outro igualmente importante, e para a maquilhadora, os produtos, cores e métodos a serem usados também dependem muito disso. O que funciona num rosto redondo, pode não funcionar num rosto mais quadrado.

Além de todos os truques que Antónia Rosa partilhou com a MAGG para cada tipo de pele, deixou-nos ainda algumas dicas essenciais que servem para todas as mulheres que gostam de se maquilhar no dia a dia. “A maioria das mulheres comete o erro de se maquilhar logo a seguir a se arranjar de manhã. Ou seja, aplica o creme hidratante e logo a seguir a maquilhagem. Isso é meio caminho andado para chegar ao escritório já quase sem maquilhagem. O ideal é por o creme, esperar pelo menos 20 minutos e só depois a maquilhagem. Outra dica é a mudança do bronzeador por estações. Recomendo que usem o pó bronzeador mais no inverno, que agarra mais à pele, e no verão em mousse, que é uma nova tendência. Exceto nas peles negras, por causa da oleosidade.”

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