Tente recordar-se dos produtos que utiliza diariamente no banho. É provável que tenha um champô e um amaciador específicos para o seu tipo de cabelo, uma máscara de hidratação para as pontas espigadas, o esfoliante para conseguir uma pele impecável a tempo do verão, o gel de limpeza com que limpa o rosto todas as manhãs e o gel de banho.

No entanto, se tem produtos específicos para o cuidado dos cabelos e do rosto, os especialistas recomendam que a higiene da zona íntima siga a mesma lógica — esta é uma parte do corpo que não deve ser descurada, em nome da sua saúde.

Esta segunda-feira, dia 28 de maio, celebra-se o Dia Internacional da Saúde Feminina, muito relacionada com a higiene íntima que, quando cuidada de forma incorreta, pode originar vários problemas de saúde.

Uma boa higiene íntima pode prevenir sintomas incómodos

A higiene íntima faz parte da rotina de uma mulher e, “para além de necessária, tem um papel base nos cuidados de saúde”, conta à MAGG Patricia Amaral, ginecologista.

Os cuidados que deve ter

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Para além da higiene com produtos específicos para a zona íntima, existem outros cuidados a ter para cuidar desta parte do corpo.

Patrícia Amaral, médica ginecologista, recomenda: “Prefira roupa interior de algodão, evite a utilização de pensos diários por rotina, roupa justa e, no caso de hipersensibilidade ou queixas com os pensos e tampões de venda habitual, privilegie a utilização de produtos 100 por cento de algodão ou opte pelo copo menstrual”.

De acordo com a especialista, o cuidado dessa parte do corpo tem por “objetivo a prevenção de patologias, tanto infeciosas, como o desvio da flora vaginal, como dermatológicas”, sendo que o cuidado regular tem um poder preventivo, proporcionando bem-estar e qualidade de vida.

Por outro lado, Patrícia Amaral realça que uma má higiene íntima poderá ir além dos maus odores, uma consequência comum quando os cuidados com esta zona são descurados.

“As mulheres podem ter queixas como prurido, mais conhecido como ‘comichão’, sensação de ardor e irritação e esta sintomatologia pode causar incómodos e afetar o dia a dia da mulher”, afirma a ginecologista.

De acordo com Patrícia Amaral, um dos sintomas mais prevalentes e de maior desafio é a prevenção dos desvios da flora vaginal e infeções vulvo-vaginais recorrentes. “Ou seja, mulheres que de forma repetida e frequente apresentam queixas como comichão, irritação, ardor, lesões de coceira, corrimento mais abundante e com cheiro, entre outras.”

O gel de banho não é suficiente

Apenas 30 a 40 por cento das mulheres portuguesas usam produtos específicos para a higiene da zona íntima. No entanto, “o gel de banho ou o sabonete habitual não é apropriado para esta parte do corpo, pois não apresenta o pH adequado”, afirma a médica, que explica que estes produtos têm um pH mais alto e adequado à pele. ”A zona íntima tem um pH mais ácido, e o seu equilíbrio e manutenção vão permitir uma estabilidade a nível da flora vaginal, prevenindo infeções.”

Durma sem roupa interior, faz bem à saúde

Patrícia Amaral recomenda que esta higiene seja realizada com produtos específicos, que poderão ainda ser escolhidos mediante a fase da vida em que a mulher está — tudo devido ao pH.

“O pH vaginal na mulher adolescente, na mulher adulta, na mulher menstruada ou na mulher na menopausa é diferente, pelo que a utilização de um produto adaptado à fase da vida da mulher é importante”, diz a especialista, que reforça que os cuidados de higiene devem ser redobrados durante a menstruação.

Para além da importância de se trocar com frequência o penso higiénico, o tampão ou o copo menstrual, Patrícia Amaral explica que se deve realizar “uma higiene mais frequente, utilizando um produto adequado a esta fase, já que durante a menstruação, o pH vaginal sofre uma elevação, tornando-se mais básico”.