Lembra-se da história “do vestido” azul e preto ou branco e dourado? A internet voltou a entrar em desentendimento quando Roland Szabo, um estudante de 18 anos da cidade de Lawrenceville, no estado da Georgia, nos Estados Unidos da América, partilhou na rede social Reddit um clip de voz perguntando que nome dizia: Laurel ou Yanny.

É neste post original que Roland Szabo lança a polémica

O clip, originalmente gravado do site vocabolary, é o áudio da palavra “Laurel”. No entanto, a polémica gerou-se quando cada vez mais pessoas, no mesmo áudio, contaram ouvir “Yanni”. Para comprovar, a MAGG fez o teste na redação: no primeiro áudio, gravado pelo aluno, a maioria ouvia “Yanny”. Quando percebemos que era possível ouvir o original, fomos experimentar e, neste segundo áudio, houve um concenso: quase todos os que antes ouviam “Yanni” passaram a ouvir “Laurel”. Ainda assim, existiram excepções: pessoas que, em ambos os áudios, ouviam sempre “Laurel” ou sempre “Yanni”. Como não conseguimos chegar a um consenso fomos procurar uma explicação.

Ainda não há uma justificação científica para o porquê deste fenómeno acontecer (vários especialistas têm opiniões diferentes). Contudo, algumas delas parecem fazer mais sentido que outras. É o caso da explicação de Jody Kreiman, uma investigadora do laboratório de percepção de voz da Universidade da Califórnia (U.C.L.A.), nos EUA, que, em declarações ao The New York Times, afirmou que “os padrões acústicos do enunciado estão no meio das duas palavras”, ou seja, as concentrações de energia para ‘Ya’ são semelhantes às de ‘La’ e as de ‘R’ às de ‘N’.

Patricia Keating, professora de linguística e diretora do laboratório de fonética da U.C.L.A., acrescentou: “Depende de qual é a parte (qual é a faixa de frequência) do sinal que a pessoa ouve”. No entanto não consegue explicar o porquê de nem todos ouvirem a mesma frequência, afirmando que talvez possa ter a ver com a idade ou a quantidade de horas que passa ao telefone.

Elliot Freeman, pesquisador de percepção da Universidade de Londres, explica que o cérebro pode sintonizar seletivamente bandas de frequência diferentes. “O que se ouve primeiro depende de como o som é reproduzido, por exemplo por um alti-falante ou uns fones de ouvido, e na ‘impressão do ouvido’ do próprio indivíduo, que pode determinar a sua sensibilidade a diferentes frequências”, afirma.

Uma maneira de entender a questão é olhar para um tipo de gráfico chamado espectrograma que permite visualizar como a força de diferentes frequências de som variam ao longo do tempo.

Espectograma criado pelo The New York Times

O The New York Times criou este espectrograma em que mostra a frequência das duas palavras: na primeira fotografia, o clipe de áudio do site vocabulary da palavra “Laurel”, mostra que a palavra é mais forte nas baixas frequências. Na fotografia da esquerda temos uma versão simulada da palavra “Yanny”, que é mais forte nas altas frequências.

O clipe de áudio do meio, gravado com telemóvel, mostra uma mistura de ambos: ao pôr o clipe de voz de “laurel” sobre os alti-falantes, regravando-o, o ruído fica exagerado nas altas frequências. São essas que podem levar à confusão sobre se a palavra é “Laurel” ou “Yanny”. Para comparação, um espectrograma da mesma voz, do site vocabulary, a dizer “Yanny”, mostra um padrão similar ao da gravação, com altas frequências.

O The New York Times criou ainda um controlo para que todos consigam ouvir as duas palavras: ele manipula as frequências enfatizadas, tornando uma palavra ou outra mais proeminente. No entanto, tal como o caso em que tivemos na redação, mesmo esses ajustes não alteraram a palavra para alguns.