Os primeiros emojis. Nicknames que podiam ter cores. As primeiras chamadas pela internet e uma espécie de videochamadas que só aconteciam se das duas uma: houvesse uma webcam (lembra-se das webcams?) ou se o computador, muito à frente na sua geração, já possuísse uma câmara integrada. O MSN Messenger marca uma das etapas da internet, banalizando as conversas em janelas de chat, depois do mIRC e antes do Messenger do Facebook ou do Whatsapp.

Está arrepiado? Nós também.

Desenterrámos estes cavalos da nossa memória. Atrás veio o patinho de borracha.

Esta quinta-feira, 17 de maio, celebra-se o Dia Mundial da Internet. Foi a ONU que lançou a homenagem (com um propósito de reflexão sobre potencialidades e desafios) a esse grande sistema de redes global que permitiu avanços que, até há relativamente pouco tempo, descrevíamos como sendo ultra-futuristas, julgando que seriam de um tempo que já nem seria o nosso. A banalização deste universo surge nos anos 90, década em que se lançam os motores de busca Internet Explorer e a gigante Google. A Netflix só há um par de anos é que entrou em nossas casas, mas já existe há 20 anos, quando começou por ser um site, o primeiro, para alugar e vender DVD.

Se cresceu neste tempo, também deverá lembrar-se do Napster (cujo ícone era um gato de phones), o primeiro programa a permitir downloads de arquivos — abrindo portas para a pirataria virtual. Houve, depois o Emule ou LimeWire. Hoje utilizamos o uTorrent, mas a sua utilização é bastante mais reduzida, tendo em conta todos os serviços de streaming que estão disponíveis e que dão acesso instantâneo e gratuito a diferentes filmes e séries. Em 2001 nasce a Wikipédia, a enciclopédia online que funciona através de um sistema colaborativo que permite que todos contribuam, que existe em centenas de línguas.

Descobri que ainda tenho hi5 — e estou horrorizada

No mundo das redes sociais, relembramos o hi5, claro, que foi destronado pela máquina de Mark Zuckerberg, criação que começou como brincadeira nos corredores de Harvard e que hoje está envolvida na grande polémica de dados, tendo sido alegadamente a ferramenta utilizada para manipular resultados políticos, como se especula que tenha acontecido na campanha de Donald Trump ou, antes, no Brexit. Nos tempos que correm há aplicações para encontros como o Tinder ou Happn, aplicações para o banco, para ler jornais, para treinar, para jogar, para ter acesso direto às lojas preferidas, para chamar taxis, ubers ou Cabify ou para fazer encomendas de comida que fazem a vontade a diferentes guilty pleasures. Se fossemos calcular o peso das ferramentas físicas que estão dentro do nosso telemóvel, seriam toneladas e toneladas.

Como é que em Portugal utilizamos a Internet?

A viagem foi curta, mas intensa. Em Portugal 86% dos portugueses liga-se à Internet, sobretudo jovens e mulheres, segundo um estudo realizado pelo Portal da Queixa e a Nicequest. Dados avançados pelo mesmo inquérito (que teve abrangência nacional e obteve um total de 5.748 respostas, 60% do sexo masculino e 40% do sexo feminino) dizem que o principal objetivo é a procura de informação, sendo que as buscas — que são uma média de cinco por dia — acontecem, “na maioria das vezes, a partir de casa, ficando o local de trabalho em segundo lugar.”

Há um novo Tinder e este foi ideia do Zuckerberg

A ligação do telemóvel à internet passou a ser normal há cerca de dez anos, mas o primeiro telemóvel que o permitiu foi um Nokia 9000 lançado em 1996. Atualmente, e de acordo com o Portal da Queixa, o smartphone é o principal dispositivo com que os utilizadores se conectam à internet, “deixando o computador para segundo lugar.”

As mulheres com menos de 50 anos utilizam mais o telemóvel do que os homens, que continuam a utilizar o PC como dispositivo de eleição. Também são elas que acedem mais às redes sociais e que ouvem mais música online.

As principais atividades realizadas na internet, além da busca por informação nos motores de pesquisa, são as redes sociais, as compras online, acesso ao homebanking e atividades realizadas para o trabalho.

Segundo o Portal da Queixa, “uma das atividades que tem registado uma mudança significativa são as reclamações”, sendo que “69% dos entrevistados elegeram o Portal da Queixa como o canal preferencial para reclamar e resolver, o que o posiciona em primeiro lugar como canal de denúncia mais eficaz”, deixando para segundo lugar o Livro de Reclamações, com uma percentagem de 49%, “o que revela que os portugueses utilizam cada vez mais os meios online para resolver e solucionar grande parte dos seus problemas.”