Estudo sugere a causa para a síndrome do ovário poliquístico

A investigação levanta a hipótese de esta condição nascer antes do nascimento, no útero da mãe. E aponta ainda uma possível cura.

A síndrome do ovário poliquístico afeta entre 8% a 20% das mulheres em idade fértil e é uma das causas mais comuns para a infertilidade

Ciclos menstruais irregulares, problemas de peso (incluindo obesidade), resistência à insulina, acne, queda de cabelo, excesso de pelos corporais são alguns dos efeitos secundários do ovário poliquístíco, apontados pelo National Health Institute. Mas o maior dos problemas deste síndrome, que, segundo o mesmo instituto, afeta entre 8% a 20% da população mundial feminina em idade fértil, e que está também associado ao risco de doença cardiovascular, é ser a causa mais comum de infertilidade.

A causa para esta desordem endocrinológica nunca foi clara, sabendo-se apenas que estará relacionada com características genéticas (é muito comum ser hereditário) e hormonais, que podem ser potenciadas por estilos de vida desequilibrados. A condição não tem — por enquanto — cura, sendo que o seu tratamento visa atenuar os seus sintomas, passando muitas vezes por alterações no estilo de vida como exercício físico ou dieta equilibrada.

Várias investigações já tinham sugerido que quando uma grávida tem Síndrome de Ovário Políquistico (SOP) é possível que o futuro recém-nascido sofra alterações hormonais, que podem dar origem à mesma condição, anos depois.

Agora, um estudo publicado na revista Nature Medicine, conduzido por Paolo Giacobni, do French National Institute of Heart and Medical Research, sugere que a síndrome poderá ter origem na exposição do útero a uma hormona, ao qual se dá o nome anti-Mullerian e que mulheres com ovário poliquistico tendem a ter em níveis mais elevados (cerca de 30%).

Um estudo feito em animais. Solução replicada em humanos

Para chegarem a esta conclusão, os cientistas injectaram esta hormona, em excesso, a ratos prenhes. Ao crescerem, os bebés demonstraram ter vários sintomas do síndrome de ovário políquistico, incluindo uma puberdade atrasada, ovulação irregular, dificuldade em engravidar e ninhadas mais pequenas. A equipa de cientistas foi capaz de reverter o síndrome com cetrorelix, um medicamento in vitro utilizado frequentemente para controlo hormonal em mulheres. Após o tratamento, os ratos pararam de ter aqueles sintomas A mesma equipa está a planear o mesmo tratamento num grupo de controlo de mulheres com SOP.

Se os cientistas conseguirem provar que o problema aparece mesmo antes do nascimento de uma mulher, explica-se o porquê de ter sido tão difícil encontrar a causa genética. Poderá ser ainda a justificação (ainda tem de ser estudado) para mulheres com este síndrome só conseguirem engravidar por volta dos 40 anos: a produção da hormona em causa decresce a partir desta idade, o que poderá normalizar a fertilidade.

A síndrome do ovário poliquístico foi referido pela primeira vez no século XVII por um cientista italiano, que descreveu a condição, referindo algumas das suas manifestações: “Jovens camponesas casadas, moderadamente obesas e inférteis, com dois ovários maiores do que o normal.” No inicio do século XX os ginecologistas americanos Stein e Leventhal realizaram biopsias em mulheres, a fim de tentarem perceber a relação entre a infertilidade e mulheres obesas, com excesso de pelos e com irregularidades na menstruação. Concluiram que os seus ovários eram quase sempre duas a quatro vezes maiores, com fomações císticas.

Partilhe
Fale connosco
Se encontrou algum erro ou incorreção no artigo, alerte-nos. Muito obrigado. anabernardino@magg.pt