A nova festa secreta de Lisboa é só para arruaceiros (mas dos bons)

Arruaçar é divertir-se ao máximo, mas sempre com respeito pelo outro. Conheça o movimento que quer revolucionar a cidade.

A festa é já no próximo dia 30 de maio, véspera de feriado, e o local só vai ser anunciado 24 horas antes

Elena de Soto / Unsplash

Muito mais do que uma festa, são “um conceito, uma tribo”: é assim que se apresenta a nova geração de Arruaceiros. Está marcada para 30 de maio, véspera de feriado, a festa de regresso deste movimento (é assim que eles se assumem), que está de volta com um look renovado e mais energia do que nunca. O local é secreto, apenas divulgado 24 horas antes a quem compra bilhete. São esperados desafios aleatórios, prémios surpreendentes e sete horas de música sem parar. Sem brigas: “Uma geração em que arruaçar significa aproveitar a vida, sem regras mas sempre com atitude positiva”, explica à MAGG o criador do movimento, que prefere não se identificar.

“Muito mais do que uma festa de discoteca”, eles não vendem o DJ, o espaço ou as figuras públicas que vão aparecer. Só vai à esta festa quem realmente se identifica com o conceito: “Um arruaceiro é alguém que gosta de arruaçar. Arruaçar é divertir-se ao máximo mas sempre com respeito, principalmente pelo próximo. É, por exemplo, poder dançar sem julgar nem ser julgado”. Por isso, é um movimento que passa muito “de boca em boca, do género: liga ao teu amigo e convida para os eventos só quem convidarias para ir a tua casa”.

O movimento arruaceiro foi lançado em 2015, mas não durou muito tempo. “Lançámos este conceito em maio, mas acabou em junho. Foi uma coisa que fiz porque me queria divertir com amigos, mas teve repercussões muito grandes (toda a gente adorou) e eu não tinha estrutura para continuar. Nos últimos anos andei à procura de pessoas que me pudessem ajudar a voltar com ele.”

O regresso acontece agora. Com outro dinamismo e novas ideias (daí o nome “a nova geração de arruaceiros”), a festa é só para maiores de 18 anos, tem dress code, um espetáculo de dança, battles e desafios. A música vai do funk à eletrónica, passando pelo trap e dancehall. A localização é secreta, mas a MAGG soube, em exclusivo, que vai ser no centro da cidade, num sítio conhecido.

“O nosso dress code escolhido é todo preto porque temos a ideia de que, se formos todos iguais, ou seja, quantas menos coisas nos distinguirem, menos diferenças vão existir entre nós: lá não há betinhos ou chungas, há arruaceiros”. Os bilhetes estão à venda na Ticketline e, só nas primeiras 48 horas foram vendidos mais de 200.

Uma noite repleta de surpresas em que vão ser distribuídos cartões com desafios: “Os desafios podem ser: fazer alguém rir, fazer uma dance battle com a pessoa do lado, contar um segredo a um desconhecido ou beber um shot”. Embora algumas competições possam ser mais excêntricas, “porque ninguém vai para beber café”, são todas interativos e ajudam a promover a amizade.

Hoje em dia sentimos que toda a gente tem muitos followers mas depois não tem ninguém com quem sair à noite ou que esteja lá, por exemplo quando está doente”.

Um dos acessórios que todos podem usar são as máscaras: “Elas existem para mostrar que não há exclusividade. Serve para generalizar as pessoas e também as liberta, o que é bom. Mas não é obrigatória”. Por isso também não vai existir parte VIP nem privados (os sítios das discotecas onde só pode entrar quem comprar garrafa).

Mais do que tudo, a amizade, a solidariedade e o respeito são o foco principal deste movimento: a tribo (nome dado às pessoas que fazem parte do movimento), “é um conjunto de arruaceiros que gosta de se divertir, fazer novos amigos e sentir que faz parte de um grupo. Hoje em dia sentimos que toda a gente tem muitos followers mas depois não tem ninguém com quem sair à noite ou que esteja lá, por exemplo quando está doente”.

E existem regras para se fazer parte dela: “Ser positivo, não haver bullying, não haver descriminação (em nenhum aspeto) e sermos todos iguais. Todos são ouvidos, podem dar a sua opinião e gerar algo. Este é um movimento em que as pessoas falam de tudo”.

Por ser um movimento principalmente de mulheres (a sua “política, ideia e conceito é o ‘underworld girl’”), neste projeto “são elas que ditam as regras”. “Aqui não acontece o desrespeito pelas mulheres. Existe liberdade mas só até um certo nível. Queremos educar as pessoas para esta nossa forma de pensar”.

O apadrinhamento do cão arruaceiro foi uma das boas causas a que os Arruaceiros se comprometeram.

“Estamos a criar mensagens novas em torna desta palavra. Mantemos a essência mas com uma nova energia positiva: a essência de ser desordeiros de forma positiva através das festas, que promovem a interatividade, e o caos de forma positiva, invadindo as ruas como um grupo grande sem organização, mas fazendo boas ações.”

Além das festas existem outros aspetos diferenciadores: as “pranks” (partidas) e as ações de solidariedade.”Estes são momentos em que os arruaceiros se reúnem para fazer ações solidárias e brincadeiras na rua como, por exemplo, abraçar um estranho, ajudar mendigos e até adotar um cão. Queremos dar o exemplo do que antigamente não era cool mas agora é.”

Partilhe
Fale connosco
Se encontrou algum erro ou incorreção no artigo, alerte-nos. Muito obrigado. adriana.melo.claro@hotmail.com