Meghan e Grace. De Hollywood para o palácio

Meghan Markle não é a primeira a deixar para trás a carreira de atriz por amor. Grace Kelly fez o mesmo e tornou-se Princesa do Mónaco.

Meghan Markle e Grace Kelly têm muitas coisas em comum

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Falta pouco mais de uma semana para o casamento de Meghan Markle e do Príncipe Harry (que se realiza a 19 de maio), o que significa que a norte-americana está prestes a tornar-se oficialmente membro da família real britânica.

Embora Meghan não vá receber o título oficial de princesa, dado que esta é uma designação que só se aplica a quem nasce na família real ou quando a pessoa em questão fica na primeira linha de sucessão ao trono (é esperado que Markle receba o título de duquesa), a verdade é que atriz de “Suits” não escapa às comparações com um conto de fadas da vida real, em que a plebeia se apaixona pelo príncipe e se torna princesa.

Contos à parte, apesar do mediatismo em redor da história de amor de Meghan e Harry, esta não é a primeira vez que vemos uma atriz e um monarca trocarem alianças — em 1956, Grace Kelly, diva de Hollywood, e o Príncipe Rainier III do Mónaco, tornaram-se marido e mulher naquele que chegou a ser apelidado como o casamento do século.

Atrizes, ícones de estilo, filantropas e norte-americanas. Grace Kelly e Meghan Markle têm muito em comum para além da liagação à monarquia. Descubra o que as une.

Uma carreira em Hollywood deixada por amor

No dia 25 de abril deste ano, foi para o ar o final da sétima temporada de “Suits”, onde a personagem de Meghan, Rachel Zane, casa finalmente com Mike Ross e o casal de advogados ruma a Seattle, deixando Nova Iorque para trás. Na realidade, esta foi a desculpa perfeita para a saída de Markle da série que, prestes a casar com o Príncipe Harry, dá como terminada a sua carreira de atriz.

Meghan, que começou por trabalhar como modelo, teve a sua primeira participação como atriz na série General Hospital, em 2002. Seguiram-se participações esporádicas no franchising “CSI” (Nova Iorque e Miami), na segunda versão de “90210” e em “Fringe”, entre outras produções. Sem grande expressão no cinema, foi na série “Suits” que encontrou a ribalta e permaneceu nesta produção durante sete anos, até ao passado mês de abril.

Já Grace Kelly, apesar de ter tido uma carreira de atriz mais curta (atuando em vários filmes entre 1951 e 1956), era uma das atrizes mais requisitadas da época dourada de Hollywood e chegou a vencer um Globo de Ouro e um Óscar da Academia.

Musa de Alfred Hitchcock, tendo protagonizado três filmes do cineasta (“Chamada para a Morte”, “Janela Indiscreta” e “Ladrão de Casaca”), atuou ao lado de nomes fortes do cinema como Cary Grant, que chegou a considerá-la, numa entrevista, uma das melhores atrizes de sempre, muito depois de Kelly se retirar. “Com todo o respeito pela Ingrid Bergman, prefiro a Grace. Tinha serenidade”, afirmou o ator norte-americano.

Depois de conhecer o Príncipe Rainier numa visita ao Palácio do Mónaco em 1955, no contexto da ida de uma delegação norte-americana ao Festival de Cannes, da qual Grace Kelly fazia parte, a atriz e o monarca começaram a corresponder-se.

Em dezembro do mesmo ano, o príncipe monegasco visitou os Estados Unidos da América, conheceu a famíla de Kelly e pediu a atriz em casamento apenas três dias depois. Grace, que viria a tornar-se Princesa do Mónaco, protagonizou o seu úlitmo filme, “Alta Sociedade”, ao lado de Frank Sinatra e Bing Crosby e deixou a carreira e os EUA para se casar com Rainier em 1956.

Ligadas à filantropia

Quando anunciou a sua “reforma” da carreira de atriz, por altura do anúncio ofical do noivado, Meghan Markle revelou à BBC que o facto de abandonar a sua profissão atual entusiasmava-a “por me dar oportunidade de me focar em causas que sempre foram importantes para mim, e conseguir dispensar-lhes mais energia”.

Megan, que se identifica como femininista, já trabalhou de perto com organizações como a One Young World, World Vision Canada (onde viajou para o Ruanda a propósito da Clean Water Campaign) e também com a United Nations for Gender Equality and the Empowerment of Women, entre outras.

Em 2016, também viajou até à Índia, para promover a discussão sobre a posição das mulheres no país e, com o casamento com o Príncipe Harry, também ele com uma grande ligação à filantropia, assumiu que esse é um campo que prentende explorar cada vez mais.

Grace Kelly envolveu-se com o trabalho filantropo assim que casou. A Princesa do Mónaco fundou a AMADE Mondiale, uma organização não-governamental reconhecida pelas Nações Unidas, cujo objetivo principal se focava nos interesses das crianças à volta do mundo, protegendo a sua integridade física e moral.

A ex-atriz, na época, também se dedicou ao campo das artes e, após a sua morte, a Princesa Carolina assumiu os seus deveres como presidente da AMADE.

Ícones de estilo

Não há look que Meghan Markle use que não cause burburinho nas redes sociais. Para além de existirem blogs inteiramente dedicados aos coordenados da futura mulher de Harry, muitas peças que a atriz usa esgotam rapidamente, principalmente quando se tratam de itens de fast-fashion.

Conhecida por preferir tons neutros, looks monocromáticos e sapatos stilletos, Meghan é uma frequentadora assídua das Semanas de Moda (principalmente da de Nova Iorque) e é habitual vê-la conjugar peças de designers com outras mais simples.

Ainda não se sabe quem será o criador do vestido de noiva de Markle, mas a expetativa para ver a atriz de “Suits” vestida de branco é grande.

O de Grace Kelly é, até à data, uma das peças mais reconhecidas quando se fala deste tipo de vestidos. Desenhado por Helen Rose, designer da MGM (vencedora de vários Óscares na categoria de Melhor Guarda-Roupa), o vestido demorou cerca de seis semanas a ser concluído, com a ajuda de três dezenas de outras costureiras.

Apesar de tudo, a maior referência ao estilo de Grace é a Kelly Bag da Hermès. Enquanto estava grávida de Carolina, a filha mais velha, a princesa tinha por hábito usar bastante uma mala de mão da marca francesa, feita de pele, usando-a para proteger a barriga dos olhares (e câmeras) indiscretos dos fotógrafos.

No entanto, as centenas de imagens recolhidas dessa época da vida de Grace foram tantas que a mala acabou por ser celebrizada e ficar ligada a Kelly, daí ter ganho o título de Kelly Bag, ainda hoje usado pela própira marca.

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