Elas demoram mais tempo do que eles a escolherem um carro. Em média, os homens gastam 15 semanas a ver automóveis e a comparar cilindradas. Já as mulheres procuram o carro que lhes preencherá as medidas durante 17 semanas. Podem não perceber muito de suspensões e cavalos, nem medir em segundos as acelerações dos 0 aos 100Km/hora,ou até nem perceberem a diferença entre carros citadinos e crossovers, mas são exigentes e atentas aos detalhes, não descurando os aspectos que, para elas, são mesmo relevantes.

Na verdade, a ideia de que o mundo feminino não sabe conjugar três frases sobre o mundo automóvel não poderia estar mais errada. Um estudo recente feito por uma empresa de seguros do Reino Unido comprova que elas não só conduzem melhor do que os homens como também têm menos acidentes. (Já para não falar no papel decisivo que elas têm no momento da compra — cerca de 70%, segundo o mesmo estudo)*.

As mulheres têm vindo a ganhar espaço neste setor, afirmando-se com maior independência no momento da decisão e demonstrando um crescente poder de compra. Aproveitando o facto de termos uma redação maioritariamente feminina na MAGG, quisemos saber o que é que algumas das jornalistas de diferentes idades mais valorizam quando têm de decidir que carro comprar. Não houve grande divergência de opiniões e foram praticamente unânimes em apontar 5 fatores fundamentais.

# Espaço

Este é o number one da maioria das mulheres, e principalmente das que possuem família, filhos ou animais. Querem uma bagageira suficientemente grande para não terem grandes angústias no momento de fazer malas ou compras no supermercado. Um porta-bagagens onde caiba o carrinho de bebé, mas também a bicicleta ou a prancha de windsurf dos filhos adolescentes, os sacos com prendas quando vão passar o Natal à aldeia ou aquele pequeno móvel antigo acabadinho de restaurar ou até aquela estante comprada no IKEA. Por outro lado, o habitáculo (sim, elas também usam esta palavra) tem que ser espaçoso e ter aqueles compartimentos todos que as ajudam a encontrar mais facilmente as coisas do que dentro das malas delas: gavetas para os óculos de sol, para a bolsa de maquilhagem, para a garrafa de água, para as sucessivas chupetas dos bebés e outros itens em geral.

É óbvio que também há mulheres, em geral sem família constituída, que preferem carros mais pequenos como é o caso da Adriana Claro, jornalista de moda —“Gosto dos mais pequenos, não pode ser é muito baixinho” — mas o voto maioritário das jornalistas da MAGG foi mesmo para o espaço que um carro oferece.

# Sensores de Estacionamento

“Só consigo estacionar em paralelo desde que tenho sensores!” confessou, sem problemas, Catarina Ballesteros, jornalista de saúde e lifestyle da MAGG. Este dispositivo passou a ser indispensável para muitas mulheres. Sentem-se mais seguras no momento de estacionar, sem aquele medo constante de que o carro não cabe em lado algum. Movem o volante com mais confiança acreditando que o aviso sonoro as impedirá de dar o tal toque indesejado no carro da frente, no muro, ou na parede que está sempre ali a ocupar terreno a mais. E que útil que se mostram os sensores quando se procuram encaixar em alguns lugares apertados dos parques de estacionamento dos centros comerciais ou quando tentam guardar o carro em garagens que parecem desenhadas para testar ao milímetro a perícia delas.

# Ligações

Pode ser comum dizer que as mulheres são multitasking e fazem três mil coisas ao mesmo tempo mas é mesmo verdade. E isso também conta no momento de comprar um carro, já que elas resolvem muitos assuntos quando estão ao volante sem perder a concentração necessária para uma condução adequada e responsável. Por isso querem ter aquelas funcionalidades básicas para uma mulher dos dias de hoje: ligações USB para carregar o telemóvel ou ouvir a playlist descarregada do Spotify e o imprescindível sistema de alta voz para poder falar tranquilamente ao telefone.

# Visibilidade em duplo sentido

As mulheres necessitam de perceber bem o que se passa à sua volta, querem ter o controlo absoluto de tudo o que podem. Querem ver onde é que o capô acaba, quão próximo está o carro que vem atrás, ou a que distância está a mota que as tenta ultrapassar. Em geral, são mais baixas do que os homens, por isso os primeiros gestos que fazem quando se sentam no carro é subir o banco para ter a noção de que o seu campo de visão é o mais abrangente possível. E depois há um outro pormenor a que dão importância. Os espelhos. Gostam deles grandes e eficazes, não só para conduzirem, mas também, para se verem a si próprias. Quem é que ainda não viu uma mulher a maquilhar-se enquanto o semáforo está vermelho, ou a passar a escova no cabelo naquele engarrafamento interminável?

# Conforto

Mais do que o design e a cor do carro há um outro item que as mulheres, como a Marta Miranda, editora executiva da MAGG, consideram relevante. O conforto. Claro que o banco do carro não é o sofá lá de casa mas tem que ser ergonómico, dar a sensação de que “nos encaixamos bem nele”. E que não contribui para as dores de coluna tão comuns em muitas mulheres. Se os bancos, além de confortáveis, forem espaçosos, ainda melhor. Sobretudo para quem vai nos lugares de trás. Se houver filhos ou crianças, então a distância entre os bancos da frente e os de trás torna-se mesmo crucial para que não sintam os pontapés impacientes das pequenas criaturas que viajam em cadeirinhas nos lugares traseiros.

Claro que as mulheres também olham para outros lados dos veículos como o estético e o preço, mas os cinco pontos referidos são mesmo os mais determinantes.

Com elas a entrarem cada vez mais neste universo tradicionalmente confinado aos homens, será que chegará o dia em que 5 mil cavalos de potência se tornarão irrelevantes?

*Estudo realizado pela MBM Mobile, consultora especializada no segmento automóvel, com base numa amostra composta por 5000 indivíduos.