Nasceu há 40 anos de uma ideia de Júlio Piloto. Criar um espaço onde as mulheres lisboetas pudessem arranjar o cabelo pelas mãos de Lúcia Piloto. E assim foi. Abriu o primeiro no Saldanha em 1977 e hoje são já 6 salões e uma Academia. Espaços onde Lúcia Piloto ainda trabalha diariamente.

À empresa criada em família, juntou-se Patrícia Piloto, filha da cabeleireira, atualmente diretora geral do grupo. Uma relação que deixou de ser apenas de mãe e filha e que passou ser também profissional. Apesar das suas vantagens e desvantagens, Lúcia e Patrícia Piloto mantêm uma boa relação dentro e fora do trabalho.

Com o Dia da Mãe à porta, a MAGG falou com mãe e filha sobre a relação pessoal e profissional que as une.

Como surgiu a marca Lúcia Piloto, de que forma evoluiu e como surgiu a ideia de ter a filha na empresa?

Lúcia Piloto — Já trabalhava na área e o meu marido desafiou-me a abrir o primeiro cabeleireiro. Correu bem e abrimos outros salões. Entretanto já passaram 40 anos. A Patrícia já conhecia bem o setor, desde pequena, e é formada na área, por isso fazia todo o sentido tê-la connosco.

Patrícia Piloto — Começou tudo de forma natural. Já nasci no mundo dos cabelos, por isso foi uma evolução natural vir para esta área. Sou licenciada em gestão mas não pensava em trabalhar com os meus pais. Depois de um ano na L’Oréal, o meu pai desafiou-me para trabalhar na empresa e aceitei.”

Como descrevem a relação mãe e filha no trabalho?

Lúcia Piloto — A nossa relação no trabalho é boa, porque eu percebo de cabelos e a Patrícia de gestão, por isso não interferimos no trabalho uma da outra. Deixo a parte do negócio para a minha filha.

Patrícia Piloto — Há uma complementaridade perfeita na nossa relação profissional. Uma nos bastidores e outra nos holofotes. É o que para nós faz sentido. No trabalho às vezes temos que falar de assuntos menos agradáveis do que quando era apenas mãe e filha, mas tentamos sempre separar as coisas.

E fora do trabalho?

Lúcia Piloto — Sempre tivemos uma boa relação. Com todas as minhas filhas, mas principalmente com a Patrícia, talvez por ser mais velha, e andava comigo para todo o lado. Com o trabalho, por vezes há algum afastamento, que é preciso que haja. Nas alturas certas estamos sempre juntas.

Patrícia Piloto — A minha mãe sempre foi a minha confidente. Era a pessoa a quem confiava todos os meus segredos, até aqueles que nem as minhas amigas sabiam. Houve sempre muita cumplicidade. É um orgulho ter uma mãe como a minha. Amiga e presente. Que nos deu uma educação rigorosa para sermos pessoas de trabalho.

Quais as maiores lições que reteve da sua mãe enquanto profissional?

Patrícia Piloto — A minha mãe é um exemplo de dedicação, de criatividade e de trabalho. Corre atrás dos sonhos e objetivos e isso é uma lição de vida.

Quais os principais valores passados pela mãe e que agora passa ao seu filho?

Patrícia Piloto — Tento passar especialmente os valores de determinação, de foco e de trabalho ao meu filho. Quero que ele seja determinado e que vá atrás do que gosta e acredita. Sempre foi o que a minha mãe me incentivou a fazer. Nem toda a gente tem a sorte de nascer ‘virado para a lua’, mas com trabalho e dedicação, pode-se ir mais longe. Eu sou assim, como a minha mãe, e tento passar esses valores ao meu filho.

De que forma se revê na sua filha enquanto mãe?

Lúcia Piloto — Somos parecidas, mas claro que há algumas diferenças. A Patrícia sempre foi uma filha fácil. Nunca deu muito trabalho, por isso sempre pude ser uma mãe tranquila. A Patrícia como mãe também o é, mas é mais exigente do que eu era. Eu era e sou mais condescendente.

No Dia da Mãe, Lúcia e Patrícia Piloto juntar-se-ão às outras mulheres da família, como todos os anos, para um almoço.