Ter franja revela instabilidade emocional? Faça este teste

A sua relação acabou? Precisa de novas emoções? Se disse que sim, não é a melhor altura para fazer franja (mas o mais provável é que a faça)

A franja, aberta ao meio, é uma das tendências da nova estação, juntamente com os penteados bob ou long bob

Foi em julho de 2017 que decidi. Num acesso de loucura repentino, fiz uma franja, após anos com um cabelo sempre igual: nem curto, nem comprido, às vezes ligeiramente escadeado na parte da frente, outras vezes todo do mesmo tamanho, escorrido, com um estilo que me fazia sentir uma mistura de Mogli e Pocahontas. Estava farta, a minha vida estava a passar por vários solavancos, estava numa relação na iminência de terminar, estava na hora de mudar, como se um novo aspeto fosse a lufada de ar fresco, recheada de força, determinação e coragem, que faria desaparecer todas as questões pendentes da vida.

Numa crónica Daily Shouts do “The New Yorker” Rita Sardana criou um questionário de 12 perguntas para ajudar quem foi invadido pela mesma ânsia de ter um novo cabelo a discernir a vontade verdadeira da outra, que é fruto de um estado emocional particular, que vive do lado de lá de uma linha muito ténue que separa a razão da emoção.

É só cabelo, claro que é. Mas é também o atributo físico mais eficaz para dar uma reviravolta no visual. E a dúvida é: qual é a causa por de trás disto? Precisa de emoções novas? Está a fugir? Está a imitar? Está a evitar alguma coisa? Está a passar por uma crise existencial? Quer umas cortinas que escondam os seus olhos? Assaltou um banco e a franja é o seu disfarce? Rita pergunta. E eu respondo.

“Está à espera de mudar só um bocadinho as coisas?”
Não estamos todos?

“Decidiu fazer franja porque viu uma modelo de instagram cool com uma franja impecável que a fez pensar ‘sim, eu também consigo fazer aquilo’?”
Isso mesmo. Jane Birkin meets Jeanne Damas, numa tentativa muito falhada, mas que não considero desastrosa.

“Está farta de fazer as sobrancelhas?”
Deixar de fazer as sobrancelhas não foi um motivo. Só uma consequência.

“Esta é a primeira vez em dez anos que vai ter franja, e, portanto, não tem ideia de como é que vai ficar na sua nova e totalmente formada cabeça de adulta? ”
Tive há seis anos e algumas coisas mudaram, nomeadamente um ligeiro crescimento no volume das minhas bochechas.

“Costuma apanhar muitas vezes o cabelo e sentir que, talvez, se tivesse franja, as pessoas iriam notar menos que o seu cabelo está constantemente desarranjado, fazendo-as pensar que, com a franja, até se esforça para ter estilo?”
Completamente. Mas surge sempre a velha questão expetativa VS realidade. De um lado estão a Jennifer Lawrence, a Scarlett Johansson e a Jessica Biel. Do outro estou eu.

“Está a passar por uma separação? Está a sofrer de solidão que a torna incapaz? Está a passar por uma separação e por solidão que a deixa incapaz e não consegue decidir qual é que veio primeiro?”
Sim, estava na iminencia de uma separação. Num processo de alienação de quem não se quer chatear, decidi que o mais sensato seria dirigir-me ao melhor cabeleireiro e mudar de visual.

“Sente que a franja vai disfarçar as suas inseguranças mais profundas, bem como o acne da testa, levando-a a pensar que estes dois prós superam o contra relacionado com o facto de não ter uma boa cara para ter franja?”
Não tenho acne, tenho uma cara que, segundo as indicações estéticas, corresponde ao formato ideal para usar franjas. E, sim, como ser humano, tenho inseguranças que a franja ajuda a esconder, porque funciona como acessório permanente, capaz de conferir algum estilo nos dias em que não ganha vida própria. Gosto de achar que funciona como uma espécie de statment, que transmite a seguinte mensagem: “Eu não tenho medo de arriscar e de passar meia dúzia de meses a sentir-me um cão de água, caso a franja corra mal, porque tenho uma confiança e segurança inabaláveis.”

“Está a considerar mudar de look, fazer as malas e mudar-se para um sítio para abrir uma loja de livros, apesar de saber que seria uma péssima ideia porque negócios pequenos são muito duros, mas acabou de ver o “Youve Got Mail” e quer viver a vida charmosa ao estilo de Kathleen Kelly?”
Gosto muito do “You’ve Got Mail”, adoro o estilo da Meg Ryan e amo a sua pequena loja de livros, bem como a história de amor atribulada com Tom Hanks. Mas tenho como referência o “500 Dias de Summer” porque a Zooey Deschanel é mesmo um máximo e há músicas dos The Smiths.

“Está a tentar ser incógnita para voar para fora do país, fugindo de um crime que pode ou não ter sido cometido e, claro, foi só um acidente, mas quem é que vai acreditar em si?”
Também não. Mas é comum pôr uns óculos de sol e vestir um sobretudo que, conjugados com a franja, conferem-me um ar simultaneamente, anónimo e suspeito, tornando impossível reconhecerem-me na rua, apesar de ser uma pessoa absolutamente anónima e de ninguém querer saber de mim. Manias.

“Está a espera que a sua franja a ajude a evitar contacto visual com toda a gente que conhece porque alguém uma vez disse que os olhos eram as janelas para a alma e, se os olhos são as janelas para a alma, a franja funciona como as cortinas e, se conseguir manter as cortinas para baixo ninguém vai conseguir olhar tempo suficiente para si e apaixonar-se e assim evita partir o coração, o que ultimamente é o maior medo da sua vida?”
Já disse: a única coisa que quero esconder com a franja são as sobrancelhas permanentemente mal arranjadas.

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