Apesar de ser mais intensa no outono, a queda sazonal do cabelo também sucede na primavera, embora num pico menos acentuado do que entre os meses de setembro e dezembro.

Fenómeno documentado na literatura médica há vários anos, a dermatologista Helena Toda Brito explica à MAGG que a causa deste aumento transitório da queda de cabelo ainda não está totalmente esclarecida.

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“Especula-se que esteja relacionada com a evolução da espécie humana por seleção natural”, afirma a especialista. “Assim, o adiamento da queda dos cabelos para depois do inverno e do verão (com consequente aumento da queda, respetivamente, na primavera e outono), pode representar uma vantagem evolutiva, ao permitir a proteção do couro cabeludo do frio no inverno e dos raios solares intensos no verão.”

“Quando ocorre queda de cabelo, importa avaliar se existe algum problema de saúde subjacente ou se se trata simplesmente de uma queda fisiológica, como é o caso da queda sazonal.”

Helena Toda Brito reforça que o mecanismo preciso que leva à queda sazonal do cabelo não é claro, “mas pensa-se que seja mediado por alterações hormonais relacionadas com a exposição à luz solar, que levam ao aumento do número de cabelos que estão na fase final do ciclo capilar (telogénese). Esta fase tem a duração de três meses e culmina com a expulsão do cabelo do folículo no final desse período”.

Sazonal ou persistente? Há que perceber o tipo de queda do seu cabelo

A queda sazonal é um fenómeno já registado e natural. No entanto, é necessário perceber se a queda dos fios está apenas e só relacionada com a estação do ano ou se pode ser a primeira manifestação de um problema mais grave.

“Quando ocorre queda de cabelo, importa avaliar, em primeiro lugar, se existe algum problema de saúde subjacente ou se se trata simplesmente de uma queda fisiológica, como é o caso da queda sazonal.”

Se a queda de cabelo for excessiva e/ou persistente, ou for acompanhada de outras manifestações (como peladas, áreas de cicatriz, descamação, borbulhas, drenagem de pus, por exemplo), a dermatologista recomenda uma consulta da especialidade “para avaliar a existência de doença e, se necessário, realizar tratamento dirigido ao problema encontrado”.

Já no caso da queda de cabelo sazonal, “esta é determinada a acontecer três meses antes do verão e do inverno, com a entrada dos cabelos na fase telogénica (fase de repouso do cabelo, que tem a duração de três meses). Conhecendo o ciclo do cabelo, compreendemos facilmente que os cabelos destinados a cair em determinada altura do ano vão-se soltar, independentemente dos cuidados adotados.”

O que deve fazer para proteger o seu cabelo e mantê-lo bonito e cuidado

Apesar de não ser possível impedir a queda sazonal, é aconselhável ter alguns cuidados gerais com o cabelo, de modo a mantê-lo saudável e permitir uma reposição mais rápida dos cabelos que caem.

Conheça quatro conselhos da especialista e siga-os à risca.

Cuidado com as pranchas (e não só)

As ferramentas de styling, como pranchas de alisar ou modeladores de ondas e caracóis, podem proporcionar looks cuidados e bonitos no conforto da sua casa e bem mais baratos do que no cabeleireiro.

Mas estas ferramentas, bem como os secadores, podem danificar o seu cabelo. “O uso do secador numa temperatura muito alta ou próximo do cabelo e da raiz deve ser evitado, assim como o constante recurso a pranchas alisadoras e modeladores.”

No entanto, quando tiver de recorrer ao uso destas opções, nunca o faça de cabelo molhado (mesmo que as indicações técnicas do produto o possibilitem) e aplique sempre um protetor de  calor adequado.

Tenha atenção à higiene do cabelo e lave-o quantas vezes precisar

Existe o mito de que lavar o cabelo todos os dias leva à queda dos fios. Mas não passa disso mesmo, de um mito. “Não existe nenhum problema em lavar a cabeça todos os dias, desde que sejam utilizados produtos adequados ao tipo de cabelo”, explica Helena Toda Brito, que reforça que os fios que caem quando lavamos a cabeça “iriam cair de qualquer forma, pois já estavam em fase de queda”.

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A lavagem deve ser feita conforme a necessidade individual, com a frequência necessária para manter o cabelo e couro cabeludo limpos. De acordo com a dermatologista, pessoas com o couro cabeludo oleoso ou que pratiquem atividade física diariamente podem necessitar de uma lavagem diária, enquanto pessoas com o cabelo seco e um estilo de vida mais sedentário podem lavar em dias alternados ou menos frequentemente.

A utilização de champôs adequados e amaciador nos fios mais compridos também é recomendada.

Mantenha um estilo de vida saudável

Além de todos os benefícios para a saúde e bem-estar geral, a manutenção de um estilo de vida saudável também é vantajosa para o seu cabelo.

“Uma dieta equilibrada e variada (com aporte adequado de vitaminas, proteínas, ferro e zinco), sono reparador e controlo do stresse são muito úteis para a saúde e vitalidade dos fios”, refere a dermatologista.

Evite usar o cabelo apanhado e a água muito quente

O calor pode estar a chegar e a vontade de apostar nos apanhados também. No entanto, a especialista alerta que a tendência de apanhar o cabelo pode ser inimiga dos seus fios. “Os penteados com tração, como rabos de cavalo ou tranças muito apertadas, podem aumentar a queda”, diz Helena Toda Brito, que também desaconselha a utilização de água muito quente.

“As lavagens com água demasiado quente podem, em algumas pessoas, tornar o cabelo mais baço e ressequido”, conclui a especialista.