Ashifa não merecia morrer assim

Rui Calafate fala sobre o horror na origem de manifestos na Índia: a violação e morte de uma criança de 8 anos, num templo hindu, em Kathua.

Os protestos contra a morte de Ashifa começaram na quinta-feira passada. O de Nova Deli contou com a presença de Rahul Gandi, líder da oposição que exigiu ao governo medidas para proteger as mulheres e crianças.

Quem violenta mulheres é um criminoso. Não pode haver perdão nem atenuantes. Nem questões de tradição nem de religião servem de desculpa. Não se pode ser brando com quem pratica qualquer tipo de actos hediondos ou forçados.

Hollywood manifestou-se ruidosamente contra o assédio sexual, pena é que Bollywood, a segunda maior Meca do cinema, o local mítico de milhões de produções indianas, não se revolte contra o permanente estado de insegurança das mulheres naquele país.

Da Índia vêm ciclicamente inúmeras histórias abomináveis de violência. Agora, uma criança de oito anos foi violada brutalmente, e assassinada, por um grupo de homens em Cachemira. O propósito do crime seria expulsar de Kathua a comunidade muçulmana bakarwal da qual ela fazia parte.

Centenas de mulheres em várias cidades da Índia têm-se manifestado a pedir justiça pela menina de oito anos.

Fasial Bhat/KO

O mundo evolui, mas por ali as lutas religiosas mantêm-se como o combustível insano da barbárie. E quando a polícia ia apresentar as acusações contra os assassinos, deparou com um grupo de mulheres hindus que bloqueou diversas ruas ameaçando imolar-se pois entendiam que o caso da criança muçulmana era uma afronta à sua religião.

Ela chamava-se Ashifa. Era inocente da maldade dos homens, ignorava a demência do extremismo de religiões. Provavelmente brincava e sorria como qualquer criança que corre por um jardim de Lisboa. A sua má sorte é que calhou nascer onde, entre a luz e a escuridão, muita gente escolhe viver na escuridão. Ashifa não merecia morrer assim.

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