10 snacks “saudáveis” que as nutricionistas vão cortar da sua dieta

Falámos com 4 nutricionistas. É bem possível que tenha de repensar os seus lanches — há muitos produtos que só são saudáveis na aparência.

As barras de cereais de supermercado são perigosas: ou têm substâncias más ou têm excesso de calorias

Alto teor a fibra. Light. Integral. Sem glúten. Vegan. Biológico. Orgânico. Com redução de gordura. Com redução de açúcar. Os rótulos não mentem, mas escondem verdades. É comum tirar-se de um lado e meter-se do outro. Ou acrescentar-se um componente saudável, mas fazer crescer a quantidade de um que não é bom e não faz bem.

Em todos os supermercados há corredores dietéticos que nos fazem pensar que há carta verde para comprar tudo porque, se é para dieta, só pode ser saudável e não engordar. Cuidado. A MAGG falou com quatro nutricionistas que desfazem este mito e revelam quais os produtos que, em consulta, os pacientes relatam consumir e que elas desaconselham. Esqueça as bolachas, as barras, as bebidas vegetais e uns tantos outros produtos aparentemente saudáveis.

Bolachas dietéticas ou digestivas

“Esta denominação muitas vezes induz o consumidor a erro, levando-o a pensar que este produtos contêm qualidade nutricional”, explica a nutricionista Ana Lúcia Silva. Até podem ter um teor elevado em fibras ou redução de açúcar ou gordura, mas o interesse nutricional continua a ser reduzido porque existem componentes desaconselhados, típicos de alimentos processados. “Por comparação ficaríamos melhor servidos com uma fatia de pão”, acrescenta.

“Apesar de as bolachas dizerem integral — e ‘com elevado teor em fibra’ — não significa que não tenham excesso de gordura, sal ou até mesmo adição de açúcar”, refere Lillian Barros. Com as tostas integrais até pode ser pior. Há quem as utilize como substitutas do pão com a ideia de que se trata de uma troca inteligente. Mas a verdade é outra: “As tostas, mesmo integrais, apresentam normalmente maior processamento e adição de gordura de fraca qualidade nutricional.”

Barras de cereais

“Estas barrinhas de cereais normalmente associadas às dietas têm adição de açúcar e uma série de aditivos pouco naturais”, refere a nutricionista Lillian Barros. Este é outro dos snacks desaconselhados por Ana Lúcia Silva, que chama a atenção para o excesso de sal e fraca capacidade para tirar a fome a longo prazo: “Na maioria das vezes, por cada barra obtêm-se um valor reduzido de energia — aproximadamente 80 calorias — contudo promovem pouca saciedade, o que fará termos fome pouco tempo depois do seu consumo.” Por outro lado as barras de cereais cuja embalagem e aspeto se assemelham ao natural ou preparado em casa, “têm um elevado valor calórico pelo excesso de frutos secos e de frutas (por exemplo de passas ou tâmaras), sem falar do mel, muitas vezes utilizado para ligar os ingredientes.”

Produtos sem glúten

Apesar de amplamente vendidos como saudáveis, e associados à perda de peso, não são a melhor opção para o lanche, caso não tenha sensibilidade ou intolerância: “Erradicar os cereais com glúten da alimentação pode comprometer um estado nutricional ótimo, passível de desencadear défices de nutrientes sem que com isso se vejam grandes benefícios, até porque a consistência dos produtos de panificação confeccionados com cereais com glúten é bastante mais agradável”, diz Ana Lúcia Silva. Para esta especialista, estes produtos são importantes para “populações especiais, que possuam alergias alimentares aos cereais com glúten, intolerantes ao glúten ou doentes celíacos.”

Snacks light ou diet

Segundo Lillian Barros, é comum “desvalorizarmos” a real composição destes produtos que se afirmam como light e diet, que nos levam a crer que não fazem mal. “O facto de apresentarem alguma redução, como do açúcar ou calórica, não faz destes alimentos necessariamente alimentos mais equilibrados”. O melhor é olhar atentamente para os rótulos e ver de que é que se faz o interior da embalagem, tendo atenção aos valores de todos os nutrientes.

Sumos naturais

A nutricionista Mariana Abecasis diz que, apesar de utilizarem fruta, “os sumos acabam por não ser a melhor opção”: levam muita fruta, “por vezes o equivalente a três ou quatro peças, dependendo do copo”, e “já vem liquefeito”. Ou seja, além de ter uma grande quantidade de açúcar — que é ingerida de uma só vez —, esta é absorvida e entra na circulação muito rapidamente pelo facto de estar em estado líquido.

“Além disso, por ser bebível, permite-nos ingerir uma maior quantidade do que ingeriríamos se fosse a fruta em estado sólido”, diz. Soma-se a isto o facto de não ser contabilizado no balanço diário, uma vez que é comum o pensamento: “Se é uma bebida natural, não tem problema.” Mas tem: é um extra porque tem várias peças de fruta, logo, demasiadas calorias.

Queijo fatiado

“O queijo pela sua riqueza em gordura animal deve ser consumido com moderação”, diz Mariana Abecasis. “Deve ser usado como acompanhamento de um pão ou como extra numa receita, mas não deve ser usado como opção de snack para ir petiscando”.

A nutricionista sugere os queijos frescos, por terem menos quantidade de gordura, contrariamente aos fatiados.

“Quando usamos queijo como acompanhamento, a dose é mais facilmente controlada, contudo se o queijo for comido como petisco (tipo rolinhos de queijo) rapidamente perdemos o controlo da quantidade e comemos quatro a cinco fatias, o que, para um queijo magro flamengo representa cerca de 280 a 350 calorias, das quais entre 22 e 28 gramas correspondem a gordura.”

Bolachas e biscoitos para diabéticos

“A zona dos produtos dietéticos está recheada de opções de bolachas, biscoitos, palmiers com alegações como ‘sem açúcar’ e ‘apto para diabéticos’, que fazem pensar que são boas opções e que podem ser ingeridos em livre demanda.” Mas, como já disseram Lillian Barros e Ana Lúcia Silva, “estes produtos, na sua maioria, não são boas opções e são tão pobres nutricionalmente como as bolachas ditas normais e bolos de pastelaria”, alerta Mariana Abecasis.

“O facto de não ter açúcar de açucareiro não significa que não tenham de facto açúcar”. Aquilo que acontece é que muitas vezes são utilizados açúcares alternativos, como a frutose, que ao ser um açúcar apresenta as mesmas calorias do que o outro.

“Estes produtos têm muitas vezes mais aditivos e gordura de adição para melhorar o sabor”, explica. “Não só não são menos calóricos, como também não são mais saudáveis e não devem fazer parte da nossa alimentação no dia a dia normal.”

Granola de supermercado

A granola de supermercado é um dos produtos que a nutricionista Bárbara Oliveira desaconselha: “Tem quase sempre açúcar adicionado, um dos ingredientes que aparece em primeiro lugar na lista, o que significa que é o produto em maior quantidade”, refere. ”Aconselho ou a fazer em casa ou a limitar-se aos simples flocos de aveia.”

Bebidas vegetais

“Cuidado com as substituições de leite por bebidas vegetais que em nada tem a ver, excepto na cor”, alerta Bárbara Oliveira. “As bebidas vegetais tem muitas vezes adição de açúcar pelo que é preciso ter muita atenção na sua compra.” A especialista aconselha a que se faça em casa. Se quiser comprar, analise a embalagem, que deve ter apenas água, o ingrediente — que pode ser aveia, amêndoa ou arroz, por exemplo — e sal.

Alimentos vegan ou bio

“Não é por dizerem ‘veganos’ ou ‘orgânicos’ que os alimentos passam a ser saudáveis”, diz a mesma especialista. “É fundamental ter muita atenção ao que está na lista de ingredientes e na tabela nutricional porque nem tudo o que é vendido com rótulo de saudável o é.” Bárbara Oliveira realça o facto de que o que para uns é saudável, para outros não é. “É importante não generalizar.”

“Por exemplo a batata-doce frita como snack parece logo uma opção saudável por ser de batata-doce, mas não é, porque não deixa de ser um alimento frito, com excesso de gorduras.”

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