Estudo. Lavar a loiça é a tarefa doméstica que gera mais problemas entre os casais

A divisão tem de ser justa. De outra forma, pode diminuir a satisfação, criar conflitos e interferir com o sexo. Sobretudo para as mulheres.

Não acumule e vá revezando. É a melhor forma de andarem todos felizes em casa

Foi estudado. Está comprovado. É oficial. A loiça suja mexe com a dinâmica de um casal. É potenciadora de conflito, de insatisfação na relação e pode até influenciar o sexo, de acordo com uma investigação realizada pelo Council of Contemporary Families, uma organização sem fins lucrativos que estuda os comportamentos familiares.

Para chegar a esta conclusão, o estudo analisou as diferentes tarefas domésticas, incluindo as compras para a casa, a roupa ou as limpezas e descobriu que as tarefas, comparativamente ao que acontecia antes, são mais repartidas.

Utilizando dados da segunda vaga da Pesquisa Nacional da Pesquisa Conjugal e de Relacionamento entre 1992 e 1994 e do Marital and Relationship Survey de 2006, concluíram várias coisas: “Ao contrário de argumentos que afirmam uma revolução de género paralisada, os autores descobriram que os casais contemporâneos partilham com mais frequência todas as tarefas do que os casais do passado, com a maior mudança a registar-se na lavagem da loiça e lavandaria”, pode ler-se. Aqui incluem-se a lavagem da roupa, as compras e a limpeza da casa.

Quanto mais justa for a divisão, maior a probabilidade para uma relação feliz. “O trabalho doméstico está positivamente relacionado com a intimidade sexual, satisfação no relacionamento e mais negativamente ligado com a discórdia conjugal”, diz a investigação.

“Em consulta, mesmo as pacientes mais modernas, queixam-se da falta de equilíbrio na distribuição das tarefas casas. É, sem dúvida, um tema de discussão, juntamente com questões financeiras e dos filhos”, diz à MAGG a terapeuta de casais Rosa Amaral.

Entre todas as tarefas, a loiça mostrou ser aquela com maior potencial de gerar mais conflito, sobretudo para mulheres em relações heterossexuais. Segundo a investigação, as mulheres que tinham de tomar conta deste dever sozinhas demonstraram ter mais conflitos conjugais, bem como níveis de insatisfação na relação mais elevados, ao ponto de considerarem as relações sexuais piores, comparativamente às que repartiam esta tarefa com o companheiro.

“É muito natural que seja esta tarefa que suscite discussão pela sua periodicidade e porque, ao não ser feita, nota-se com rapidez”, explica a terapeuta da Clínica Europa. “Se eu combino que as minhas tarefas são uma série delas e a dele é a loiça e eu todos os dias chego a casa e vejo tudo sujo, não é só a falha da tarefa em questão o problema, mas também a falta de respeito e de comunicação.”

Transformar pratos, copos, talheres sujos em limpos. Lavar a loiça é só isso. Ao contrário de atividades como jardinagem ou cozinhar, não há elogios envolvidos ou resultados surpreendentes. Além disso, como indica ao “The Atlantic” Dan Carlson, professor assistente da Universidade do Utah na cadeira de estudos familiares, trata-se de uma atividade “nojenta”, que envolve mexer em comida seca ou no lavatório, que poderá ter odores desagradáveis.

O mesmo professor explica que, até há pouco tempo, as tarefas domésticas mais exigentes eram executadas e associadas às mulheres. Enquanto imaginamos os homens a cortarem a relva, a levarem o lixo ou lavarem o carro, o elemento feminino fica responsável por limpar a sujidade (gerada por ela e pelos outros) da casa de banho, da cozinha, da roupa e do resto da casa. As mulheres que ainda têm estas funções poderão sentir-se desprezadas e, assim, é possível que guardarem sentimentos de rancor ou ressentimento.

Segundo a investigação, nas últimas décadas tem-se assistido a um aumento da divisão deste tipo de responsabilidade. Os homens também já limpam a casa, sendo que dedicam uma média de quatro horas semanais, o dobro daquilo que dedicavam em 1965. A loiça é a tarefa que os casais mais dividem, sendo que entre 1999 e 2006 aumentou de 16% para 29%. E, de acordo com o mesmo investigador, quanto mais uma tarefa é partilhada, piores serão as consequências de não a partilharem.

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