Há um Museu de Comida Queimada (mas não é o único museu estranho no mundo)

Na Índia, há um museu só de sanitas e em Paris há outro dedicado a vampiros e outras criaturas do oculto. São reais, mas não são os únicos.

Nada de Rembrandt ou Monet. Estes museus fogem à regra do que hoje é tido como normal, mas têm cada vez mais visitantes

Václav Pluhař/Unsplash

Os museus estão geralmente associados às artes e ao legado histórico e cultural de uma comunidade. Enquanto ponto de interesse, são dos locais preferidos para passeios turísticos ou para levar os miúdos em visitas de estudo. Há museus para todos os tipos de gostos, culturas e vocações e a dificuldade está em decidir qual visitar primeiro.

Mas há também aqueles museus mais esquisitos dos quais provavelmente nunca ouviu falar — como o Museu das Sanitas, na Índia. Mas não é o único. Estes são alguns dos museus mais estranhos do mundo (e olhe que alguns chegam mesmo a ser assustadores).

Museu de Monstros e Vampiros

A máquina de escrever onde "Dracula", a obra de ficção de Bram Stoker, foi escrita é um dos artigos que mais desperta a curiosidade dos visitantes

Nina Doré/Musée des Vampires

Localizado em Paris — a cidade berço de histórias antigas e mistérios ocultos —, o Le Musée des Vampires é um pequeno e tenebroso espaço que, embora se assemelhe a uma garagem vulgar, é um dos maiores pontos de interesse para os fãs dos mitos de monstros e vampiros da cultura popular.

A decoração faz lembrar uma história do universo gótico de Edgar Allan Poe, a começar logo pelo exterior com a imitação de um cemitério populado por morcegos de plástico. No interior do museu há de tudo um pouco — desde livros, imagens e filmes sobre demonologia, até kits para se tornar num verdadeiro caçador de vampiros e outras criaturas assustadoras.

A curadoria do espaço está a cargo de Jacques Sirgent. Excêntrico, curioso e investigador de vampirismo, Sirgent acredita que os vampiros existem e estão cada vez mais perigosos do que as gerações anteriores. Para prová-lo, e passar o seu conhecimento aos visitantes do espaço, reuniu mais de 900 filmes dedicados ao tema, bem como inúmeros relatos de aparições de fantasmas e lobisomens, que acredita serem a prova viva da existência de um mundo das trevas.

O museu está aberto a todos os visitantes mas o responsável insiste que os registos de comparência sejam feitos com a devida antecedência. No espaço, além de toda a memorabilia ligada ao oculto, há ainda a organização de palestras e debates acerca dos mais variados temas ligados a estas míticas criaturas.

Museu de Medicina de Siriraj

Os fetos são reais e estão expostos em recipientes como estes um pouco pelas várias salas do museu

Marco Gallo

Podia ser um simples museu de medicina que procurasse dar a conhecer alguns dos instrumentos mais usados pelos profissionais de saúde durante as suas intervenções, mas não é.

O Museu de Medicina de Siriraj — que na verdade são sete, separados entre si — está localizado em Bangkok, no mais antigo hospital da região. No seu interior? Cadáveres nos mais variados estados de decomposição, bem como inúmeros recipientes com fetos deformados. Mas não se fica por aqui — nos corredores do hospital há ainda membros (como braços e pernas) do corpo humano expostos com o intuito de consciencializar os visitantes para a noção das suas mortalidades.

Numa das várias salas do museu estão ainda guardados os corpos de alguns dos assassinos em série mais conhecidos da Tailândia. É o caso de Zee Oui, o famoso canibal que em 1940 matou e comeu crianças por acreditar que os seus órgãos o tornariam mais forte.

Museu das Marionetas

Este é o único museu do mundo dedicado à exposição de mais de 800 marionetas de ventríloquos

Adventure Mom

Museu Vent Haven foi criado em 1962, no estado de Kentucky, por William Shakespeare Berger para guardar as mais de 800 marionetas que faziam parte do seu repertório enquanto ventríloquo, e que não cabiam no sua modesta garagem.

Hoje, é um museu bastante conhecido que além dos bonecos, exibe também fotografias, filmes e livros históricos ligados à arte de manusear marionetas.

O museu serve também como palco para o evento ConVENTion — uma convenção anual de ventríloquos que junta profissionais e entusiastas do mundo inteiro em conversas, debates, e demonstrações de técnicas de manipulação.

Museu das Sanitas

A maior sanita do mundo está neste museu, localizado na capital da Índia

Sulabh International Museum of Toilets

Sulabh International Museum of Toilets é o nome oficial do museu de sanitas de Nova Deli, na Índia. Em exposição, há uma parafernália de sanitas — desde as mais antigas, usadas pelas civilizações antigas do Egipto, da Babilónia e da Grécia, até às mais recentes.

A ideia surgiu pela mão de Bindeshwar Pathak, sociologista e fundador da Sulabh International — uma organização social que tem como objetivo garantir o acesso à educação e à higiene de todos os cidadãos —, que acredita que a sanita é um dos objetos indispensáveis para a vida de qualquer ser humano.

O museu surge, então, com o propósito de dar a conhecer a história da sanita através da observação de vários modelos. Entre eles, a maior sanita do mundo, exposta numa das várias salas do espaço.

Museu Subaquático de Arte

A organização do museu incentiva os visitantes a mergulhar para ver as figuras — mas não há problema se não quiser (ou não souber) nadar

Clacri

É na cidade de Cancún, no México, que está o primeiro museu do mundo que requer que os visitantes entrem dentro de água para o visitar.  O Museu Subaquático da Arte encontra-se localizado entre três a sete metros de profundidade, e é já um dos museus mais conhecidos do mundo, em parte devido à experiência única que proporciona.

Fundado em 2009, distingue-se pela exposição de mais de 500 esculturas debaixo de água, localizadas num recife artificial criado especificamente para o efeito. O material usado nas figuras não só não é poluente como ainda favorece o crescimento de recifes de corais e preserva os animais que ali habitam.

Mas não há problema se não souber ou não quiser nadar. Foi a pensar nisso que a organização apostou na realização de excursões em embarcações de vidro, cuidadosamente guiadas por membros da equipa do museu que darão a conhecer toda a história das várias figuras ali expostas.

Museu do Ramen

O museu do ramen até tem opções vegetarianas para uma combinação infindável de sabores

Michael Turtle

Foi em meados dos anos 50 que começaram a ser criadas as primeiras formulas de ramen — a massa e o macarrão instantâneos que representam parte da cultura alimentar japonesa. O sucesso é tal que hoje há um museu dedicado só ao ramen e aos noodles.

No Shinyokohama Ramen Museum, fundado em 1994, há nove restaurantes espalhados pelo museu, em que cada um representa uma versão diferente da massa mais conhecida do mundo. O ambiente do espaço assemelha-se às ruas de Tóquio na década de 50, precisamente na altura em que o prato começou a ser experimentado pela primeira vez.

Mas nem só de ramen vive o museu. Desde frango, porco a opções vegetarianas, há de tudo um pouco para que os visitantes possam explorar um conjunto infindável de sabores. O museu permite ainda que os populares criem as suas embalagens de massa na loja de lembranças onde, entre outros produtos, os pauzinhos e os noodles são os artigos mais procurados.

Museu da Comida Queimada

Tudo começou com uma tarte de maça esquecida no forno, o que levou a fundadora do museu a achar que poderia fazer arte com comida queimada

“Podia ser uma lasanha mas ficou assim”, é a legenda que acompanha um dos artigos expostos no Museu da Comida Queimada — um pedaço de comida totalmente carbonizado e que atrai inúmeros turistas a Massachussets desde 1980. Tudo começou quando a harpista, Deborah Henso-Conant se esqueceu de uma tarte de maçã no forno e a deixou queimar.

Foi aí que pensou que talvez pudesse fazer arte com o azar na culinária e tratou de lançar o website oficial onde, ainda hoje, incentiva os visitantes a enviar fotografias das suas comidas queimadas. O objetivo é dar a oportunidade aos visitantes de expor publicamente os seus desastres culinários em apresentações públicas e oficiais do museu.

As exposições acontecem na casa de Deborah e, desde a década de 80, que atraem vários curiosos a visitar esta espécie de museu alternativo.

Um dos artigos de destaque é a batata-doce deixada no forno durante um prazo máximo de cinco semanas, com uma aparência totalmente negra e quase desfeita.

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