Descubra o que fazer para atenuar as estrias

São pouco estéticas e permanentes. Mas apesar de estas marcas não desaparecerem uma vez instaladas, há tratamentos para as disfarçar.

Uma vez instaladas, as estrias, como qualquer cicatriz, ficam para sempre. Mas podem ser atenuadas

Não estão associadas exclusivamente à gravidez, mas esta é uma das fases da vida das mulheres em que as estrias costumam surgir com muita frequência. Para além deste período, estas pouco estéticas marcas também estão associadas a picos de crescimento na adolescência, aumento muscular e mudanças bruscas de peso.

Anatomia de uma estria

As estrias são um tipo de cicatriz que surge na pele quando esta é sujeita a uma distensão rápida. Como explica Helena Toda Brito, dermatologista no Hospital Lusíadas Lisboa, numa fase inicial as estrias apresentam uma cor avermelhada, arroxeada, rosada ou acastanhada (dependendo da cor da pele), podem ter relevo e causar comichão. “Com o tempo, a cor vai atenuando até se tornarem brancas e o relevo diminui gradualmente”, explica à MAGG a dermatologista.

Há pessoas com mais tendência para desenvolver estrias?

“A tendência para o desenvolvimento de estrias é variável de pessoa para pessoa, dependendo do tipo de pele e do quão elástica ela é — quanto mais elástica for a pele, menor o risco de aparecimento de estrias“, esclarece à MAGG Helena Toda Brito, dermatologista.

A especialista explica que a probabilidade de desenvolvimento destas cicatrizes é maior nas mulheres, quando existem familiares diretos com estrias, como a mãe, por exemplo, em algumas doenças raras (doença de Cushing e síndrome de Marfan) e após tratamento prolongado com corticosteróides (tomados ou aplicados na pele).

“A derme contém fibras de colagénio e elastina que suportam a pele e lhe permitem esticar quando ocorre estiramento dos tecidos”, afirma a especialista. As estrias surgem quando a pele é distendida para além do seu limite elástico, provocando a ruptura destas fibras e da elastina — esta ação é seguida de um processo de cicatrização, que origina as estrias.

São cicatrizes que podem ocorrer em qualquer local onde a pele tenha sido esticada. “As localizações mais frequentes são aquelas onde há maior acumulação de gordura: abdómen, mamas, nádegas e coxas”, salienta Helena Toda Brito. Outras localizações comuns incluem os ombros (podem ser observadas em pessoas que fazem musculação) e a região lombar (nos adolescentes com pico acentuado de crescimento, podem surgir estrias horizontais nesta localização).

Não desaparecem mas podem ser atenuadas

Se foi mãe há pouco tempo ou passou por uma alteração acentuada de peso, é provável que as estrias tenham invadido o seu corpo. E pode não ser a notícia que gostava de receber, mas a verdade é que uma vez instaladas, as estrias são permanentes — como qualquer outra cicatriz. “No entanto, mesmo sem tratamento, as estrias vão-se tornando menos notórias, apesar de este ser um processo que pode demorar anos”, esclarece a dermatologista.

Também é importante dizer que quanto mais recente for a estria, maior é a probabilidade de obter melhorias com o tratamento.”

Se desejar acelerar o processo, existem tratamentos que ajudam a atenuar a aparência das estrias, como a laserterapia, os peelings químicos, o dermaroller, a dermoabrasão, a radiofrequência e a carboxiterapia. No entanto, Helena Toda Brito reforça que estes tratamentos não eliminam permanentemente as estrias e afirma que não existe um tratamento ideal.

“Habitualmente, quando se aposta em tratamentos, são necessárias várias sessões para se conseguir um resultado satisfatório, muitas vezes até combinando técnicas — a laserterapia e a radiofrequência são um exemplo. Quanto mais recente for a estria, maior é a probabilidade de obter melhorias com o tratamento”, avisa a dermatologista.

Hidratar é metade da solução

Nunca é demais referir que a hidratação deve fazer parte da sua vida, desde beber bastante água por dia a não descurar os cuidados com a pele mesmo nos meses mais frios (e em que andamos mais cobertos com roupas pesadas). E este não é um passo que deve ignorar na luta contra as malfadadas estrias.

A hidratação adequada da pele constitui um passo importante na prevenção das estrias, dado que aumenta a elasticidade da pele e a sua resistência ao estiramento”, diz Helena Toda Brito, que acrescenta que devem ser utilizados cremes hidratantes de textura rica, os quais devem ser reaplicados várias vezes ao dia.

Existem no mercado vários produtos comercializados para a prevenção e tratamento de estrias, mais quais os mais eficazes? “Segundo dados da Academia Americana de Dermatologia, os ingredientes que se mostraram mais eficazes nos estudos realizados foram os retinóides numa ótica de tratamento, a centelha asiática na prevenção e o ácido hialurónico para ambas as situações”, refere a especialista.

As “inimigas” das grávidas

Surgem em cerca de 80 por cento das grávidas, mais frequentemente no último trimestre — e não se deve apenas ao estiramento da pele na zona da barriga. “Para além do efeito mecânico do estiramento dos tecidos, as alterações hormonais próprias da gravidez amolecem as fibras da pele, tornando-a mais suscetível ao desenvolvimento de estrias”, esclarece a dermatologista.

Para que seja possível prevenir o desenvolvimento destas cicatrizes durante a gestação, é de evitar o aumento rápido e excessivo de peso, aconselhada a manutenção de uma alimentação saudável e equilibrada (rica em vitaminas e minerais, que ajudam a manter a pele cuidada) e o reforço dos cuidados de hidratação da pele, preparando-a desde as primeiras semanas da gravidez com recurso a cremes adequados.

“No pós-parto, é importante evitar a perda rápida de peso (deve-se perder peso de forma lenta e estável, de modo a que a pele não esteja sob stresse) e manter os mesmos cuidados com a hidratação da pele, para que esteja saudável e elástica”, conclui Helena Toda Brito, que também recomenda às mulheres grávidas ou que estejam a amamentar que consultem o seu médico antes de aplicar produtos para o tratamento das estrias, “uma vez que alguns contêm ingredientes (como os retinóides) que podem ser prejudiciais para o bebé”.

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