“Um copo com água, uma escova e pasta, para lavar os dentes é o que me basta”, é o verso mais conhecido da canção infantil da Escolinha da Música que, lançada em 2009, procurou alertar pais e miúdos para a importância de escovar os dentes regularmente. Mas os cuidados estendem-se também aos animais de estimação, sejam cães ou gatos, diz Inês Santos, da Clínica Veterinária de Algueirão.

Um estudo efetuado pelo Centro de Nutrição e Bem-Estar Animal da Waltham, no Reino Unido, concluiu que a adoção de práticas de higiene oral em cães e gatos é muito importante na prevenção de algumas doenças sérias que afetam não só os dentes e gengivas do animal, mas também outras áreas do corpo como o coração.

Quais os riscos?

Apesar de não ser um hábito regular na maioria dos lares, a veterinária Inês Santos revela que o processo deve ser exatamente igual ao dos humanos. A ideia passa por impedir que se acumule tártaro em redor dos dentes e na margem das gengivas, que pode não só levar à degradação do dente como à inflamação de toda a área bocal.

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Caso não seja aplicado nenhum tratamento, a dor pode levar o animal a deixar de comer. Mas as complicações não se ficam por aqui. A acumulação de bactérias na cavidade oral são transportadas para a circulação sanguínea que, depois de chegar ao coração, podem afetar as paredes do órgão e originar uma situação de endocardite.

“Normalmente, as válvulas cardíacas são afetadas e o ritmo cardíaco fica comprometido”, sublinha a veterinária, acrescentando que esta é a complicação mais grave que resulta da não prevenção do tártaro dentário nos animais, que pode conduzir à morte.

Quando e como escovar os dentes do animal?

“Deve ser um hábito regular e deve ser iniciado o mais cedo possível, quando o animal ainda está na fase dos dentes de leite”. O importante é habituar os animais desde muito novos à lavagem bocal, já que em idade adulta é muito difícil implementar hábitos diários.

Inês Santos sustenta que a melhor forma de garantir o sucesso da escovagem — pelo menos ao início — é através da associação de um um reforço positivo após cada lavagem. Assim, garante, o animal irá assumir que depois do momento de higiene terá direito a uma recompensa que, continua, “se pode traduzir num simples biscoito.”

Não deve, porém, começar a escovar os dentes do seu animal de estimação se este estiver nos primeiros meses de vida. “Nas primeiras sessões, é importante que se dê a conhecer a pasta para que se possam habituar ao sabor”, ainda que nos animais adultos seja perfeitamente aconselhável começar logo com a escova. Mas sempre com a delicadeza necessária para não os magoar.

O único inconveniente, diz Inês, é a personalidade de cada animal que poderá ou não dificultar todo o processo. Mas até para isso há truques. “Pode ser mais fácil colocar o animal num sítio alto já que, geralmente, ficam mais sossegados devido à altura a que estão do chão”, ainda que reconheça que possam existir casos em que o tempo de habituação possa ser mais demorado.

“Dependerá sempre de animal para animal, e numa fase inicial é normal que sejam precisas duas pessoas. Uma para escovar e outra para manter o cão ou gato imóvel.”

Quais os produtos indicados?

Inês Santos sublinha que na escolha de produtos para higiene oral há que ter especial atenção para garantir o máximo conforto do animal durante o processo.

Em primeiro lugar, é aconselhável a utilização de escovas apropriadas aos vários tipo de bocas. A veterinária garante que já há uma enorme variedade no mercado e em forma de dedeira. Além de não irritar as gengivas, oferecem uma limpeza eficaz contra todas as bactérias.

Devem ser sempre usadas pastas dentífricas próprias para cão e gato. Nunca se deve escolher uma pasta de dentes para humanos, já que contém compostos tóxicos que são nocivos ao organismo do animal. “Há imensas opções no mercado com vários sabores, o que permite que possamos escolher consoante a reação deles após a primeira experiência.”

As pastas, por serem próprias para animais, não apresentam riscos em caso de ingestão. Mas, a veterinária assegura que muitas vezes os animais optam por a expelir naturalmente devido à textura característica de cada pasta.

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