É a imagem capaz de mudar o rumo da nossa vida?

Um blogger, uma estudante, dois estilistas e um performer explicam como é que a aparência tem força para desviar o nosso caminho.

João Jacinto Ferreira, 43, já teve mais 23 quilos. Percebeu que queria mudar a sua imagem num dia em que, com 30 anos, entrou numa loja, pediu o número de umas calças e lhe responderam: “Não temos para o seu tamanho.”

A sua vida deu uma grande volta. Além de emagrecer, deixou a Teologia e começou a trabalhar em agências de comunicação. Hoje tem o blogue “Gentleman’s Journal”, ao qual dedica grande parte do seu tempo. É a partir daqui que disponibiliza serviços de consultoria de moda para homens. Mas não só: desde a última campanha autárquica que faz a assessoria de imagem e lifestyle da presidente do CDS, Assunção Cristas.

James Doyle (não quis revelar a idade), é performer do coletivo “absurdo de transformistas” de Berlim The Real Housewifes of Neukölln. Quando coloca um vestido, saltos altos e peruca passa a chamar-se Fanny. Foi assim que se apresentou pela primeira vez na ModaLisboa, em 2017. O seu aspeto excêntrico fê-lo tornar-se numa espécie de celebridade do evento. Toda a gente passou a conhecê-lo. E quem nunca o tinha visto, provavelmente, não o esquecerá. Se não fosse esta imagem, além de não ter captado a atenção de quem passou pelo evento em Lisboa, provavelmente também não faria parte de um dos grupos que marca a cultura queer, underground e noturna da capital alemã.

Tal como os estilistas Luis Carvalho, 30, e Filipe Faisca, 53, ou como a estudante da Faculdade de Arquitetura Carolina Batalha, 20, João Ferreira e James Doyle acreditam que a imagem é determinante para o rumo da vida: espelha quem somos, a nossa personalidade e estado de espírito. E, para o bem ou para o mal, determina a percepção que os outros terão de nós.

A forma como nos apresentamos — quer seja pelas roupas que vestimos, o penteado que escolhemos ou o peso que carregamos — pode mudar o rumo das nossas vidas em momentos mais ou menos insignificantes. Justa ou injustamente, poderá desviar-nos do nosso caminho e levar-nos a outros sítios, a outras pessoas, a diferentes estados ou profissões.

Ter tatuagens ou piercings deixou de ser sinónimo de chumbar em entrevistas de trabalho, em várias áreas. Os cabelos com cores berrantes e as roupas mais excêntricas também deixaram de ser mal vistos. Vivemos no mundo das selfies, do Instagram e dos corpos definidos (ainda que, cada vez mais, se fale dos corpos reais), mas também estamos a assistir à democratização da imagem que veio abrir as portas a diferentes formas de expressões. Mas significará isto que a a aparência já não importa?

A MAGG aproveitou a ModaLisboa para perceber qual é o valor que se atribui ao aspeto físico. Conversámos com seis pessoas, completamente diferentes, e com idades distintas. Todas nos responderam que sim: a imagem é essencial. E todas confirmaram as nossas suspeitas: a forma como nos apresentamos é mesmo capaz de alterar o nosso caminho.

Texto de Ana Luísa Bernardino, vídeo de .
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