Redução Mamária. Uma tendência ou uma urgência?

Os maus hábitos alimentares podem ser a causa de um peito demasiado grande. Muitas mulheres estão a procurar cirurgias para o diminuir.

A era Pamela Anderson já lá vai. Agora é o estilo Kate Moss que muitas mulheres querem seguir. Pouco peito é sinónimo de elegância?

Se há uns anos víamos as mulheres a quererem ter o peito cada vez maior, e muitas vezes desproporcional ao próprio corpo, hoje a tendência é outra. A famosa frase Less is more veio mudar a rotina da cirurgia plástica, ao aumentar o número de intervenções de redução mamária.

Não é uma tendência de hoje, mas é recente. E Victoria Beckham foi uma das primeiras a criar esta mudança, quando em 2014 retirou as próteses que tinha, por achar que estas já não combinavam com o seu estilo.

Este passo levou a que muitas outras mulheres fizessem o mesmo e reconsiderassem o conceito de elegância, como explicou António Conde, Coordenador da Unidade de Cirurgia Plástica e Reconstrutiva do Hospital Lusíadas Porto: “Faço centenas deste tipo de cirurgias por ano, e só em 2017, fiz 150. O que vejo atualmente é que o motivo que leva as mulheres a fazê-lo é cada vez mais estético do que por questões de saúde. Mas a saúde é um forte motivo, pois há muitas mulheres que sofrem de uma patologia osteoarticular degenerativa da coluna vertebral, como hérnias, espondiloses ou escolioses, devido ao peso da mama.”

No entanto, muitas vezes não é só o aspecto da saúde que está em jogo. A parte psicológica é um fator com muito peso para o número de Mamoplastias de Redução que existe em Portugal. A começar pelos problemas de coluna e a acabar em graves complexos e baixa auto-estima. Margarida Alegria, psicóloga, afirma: “Os seios têm uma importância e representação simbólica muito forte para a mulher, uma vez que representam diretamente a feminilidade, auto-estima, sexualidade e maternidade. O facto de ter o peito grande influencia diretamente o bem estar de uma mulher. Muitas mulheres acabam por se isolar, deixando de ir à praia, por exemplo.”

Casos que podemos encontrar em fóruns, onde mulheres com este problema falam umas com as outras e se aconselham sobre se devem avançar ou não com a cirurgia.

Mas esse não é o único constrangimento. A intimidade de um casal também pode ser afetada, como explica Margarida Alegria: “Há mulheres que não se despem à frente do marido e não permitem o contacto pele com pele. Chegam a existir casos de divórcio por falta de intimidade, resultantes da insegurança da mulher com o peito demasiado grande. Seja do tipo estética ou reparadora, a cirurgia plástica proporciona mudanças que trazem bem-estar e auto-estima às pessoas.”

Antes e depois de uma cirurgia de redução feita por António Conde

Este é um problema que afeta muitas mulheres em Portugal, logo desde a adolescência. Ângelo Rebelo, diretor da Clínica Milénio contou à MAGG que  a pessoa mais nova que operou tinha 12 anos. “Pode chocar, mas a verdade é que lhe tirei 3kg de mama. Era suposto essa pessoa viver com esse peso e complexos mais uns anos, só para atingir a maioridade?”. A média de idades das mulheres que o procuram para esta intervenção é na casa dos 20 anos. “São cada vez mais jovens.”, afirma.

Além da idade, este tipo de operação é também abrangente a todos os estratos sociais. No entanto, segundo António Conde, “a gigantomastia é um problema muito grave e é, habitualmente, nos estratos sociais mais baixos que vemos mais desses casos, e isto deve-se claramente a maus hábitos alimentares.”

O que leva a outra questão. A dos seguros. Segundo António Conde, “este é um tema muito sério e grave. Os seguros não comparticipam este tipo de cirurgia, porque a consideram meramente estética e desnecessária.”

A MAGG falou com algumas seguradoras e todas nos informaram que se a redução mamária for considerada estética não tem qualquer comparticipação. Para ser justificada por questões de saúde, a utente deverá ter um relatório médico com essa indicação para ser analisado, e que ainda assim pode ser recusado.

Isto faz com que muitas mulheres que precisam de ser operadas, não consigam ou tenham que ficar em lista de espera para realizarem a cirurgia onde houver vaga. Como?

Quem não tem possibilidade de ser operado num hospital privado, inscreve-se num hospital público e fica numa lista de espera. Caso esse hospital não tenha capacidade de realizar a operação (e tenha como prová-lo) e já tenha ultrapassado o tempo máximo de espera, os utentes recebem um cheque-cirurgia para serem operados nos hospitais privados ou outros hospitais públicos. Um processo que pode ser bastante lento.

Podemos então considerar a redução mamária uma tendência?

Segundo Ângelo Rebelo, diretor da Clínica Milénio, sim. “Quando se reduz é sempre por influência das tendências. Mesmo que seja por questões de saúde, a tendência também influencia. E a tendência atual é ter a mama pequena, para ficar mais elegante e parecer mais magra.”

Kate Moss nunca escondeu o tamanho pequeno do peito

A prova de que as tendências são cíclicas, é a diferença na escolha dos tamanhos das próteses ao longo dos anos “Há uns 15 ou 20 anos o tamanho que mais pediam era 200ml. Depois mudou radicalmente e a média de tamanho passou a ser entre 300 a 350ml. Hoje, a média ronda os 260ml.”, explicou o cirurgião plástico.

Ou seja, a cirurgia de aumento continua a ser a intervenção mais feita, no entanto, o tamanho das próteses diminuiu bastante.

Próteses estas que também podem ser colocadas quando se faz uma Mamoplastia de Redução, ou seja, ao reduzir a mama, caso exista uma grande quantidade de pele e pouco conteúdo mamário, pode colocar uma prótese pequena apenas para ficar com uma mama mais cheia, levantada e firme.

A atriz e apresentadora Isabel Figueira é um caso público de alguém que fez uma redução mamária deste género, na Clínica Milénio. “Há 8 anos, depois de ter tido o meu primeiro filho, fiz uma Mamoplastia de Aumento e gostei do resultado. Depois do meu segundo filho, a minha glândula mamária não parou de desenvolver e fiquei com o dobro do peito. Isso deixou-me com um grande desconforto e muitas dores nas costas. Além disso, com uma auto-estima muito em baixo. Foram os grandes motivos que me levaram a fazer uma cirurgia de redução.” contou Isabel Figueira à MAGG.

Mas só dois anos depois conseguiu tomar a decisão de avançar, “Demorei a decidir-me, mas foi o melhor que podia ter feito. Tirei 350 ml de cada peito. É muito. Esta redução mudou completamente a minha vida. Poder dormir de barriga para baixo e usar roupa que antes não conseguia, sabe muito bem. Por exemplo, nunca usaria um decote como o que usei numa festa na noite dos Óscares, antes da redução. A minha auto-estima melhorou muito.”, afirma.

Depois de ter tornado pública esta intervenção, Isabel Figueira passou a receber através das redes sociais várias mensagens de mulheres com o mesmo problema, a pedir dicas e conselhos.

Quais os procedimentos da cirurgia? E quais os preços praticados?

A forma como a Mamoplastia de Redução é feita é diferente de médico para médico. No caso de António Conde, no Hospital Lusíadas Porto, a cirurgia é feita com anestesia geral, dura cerca de 30 a 45 minutos, requer 1 dia de internamento, sem necessidade de medicação para as dores e passados 3 dias pode-se voltar ao trabalho. “Apesar de ser uma cirurgia mais complexa, porque obriga a uma incisão em “T” invertido e à abertura da mama toda, a recuperação é muito simples e pouco dolorosa. O que faz também com que a redução se tenha tornado cada vez mais popular”, explica.

O valor para esta intervenção ronda os 3.500€. Caso seja colocada uma prótese, para além da redução, o valor passa para cerca de 4.200€. Já o procedimento de Ângelo Rebelo não implica internamento e a anestesia é local com sedação. O valor desta cirurgia está entre os 5.000€ e os 7.000€.

Em qualquer um dos casos, a mulher consegue retomar a vida normal em poucos dias e, se entretanto for mãe, pode dar de mamar, sem quaisquer limitações.

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