Estética. Há cada vez mais jovens a reduzir o tamanho do nariz por causa das selfies

Quem o diz é Boris Paskhover, especialista em cirurgia plástica. Mas a culpa pode ser dos telefones. A MAGG ouviu um fotógrafo profissional.

O seu nariz não é grande, a câmara do telemóvel é que não ajuda

São frequentes em clínicas de estética os pedidos de pessoas que querem fazer cirurgias plásticas para diminuirem o tamanho ou a forma do nariz. Nos Estados Unidos, este número tem vindo a aumentar e no topo das queixas surge uma totalmente impensável há uns anos: o facto de nas selfies as pessoas sentirem que têm um nariz demasiado grande. Quem o diz é Boris Paskhover, que se especializou em cirurgia plástica facial na Rutgers New Jersey Medical School, nos Estados Unidos.

“Os jovens adultos tiram selfies constantemente para publicar nas redes sociais e pensam que essas imagens são representativas de como eles realmente são, o que pode ter um impacto no seu estado emocional”, explicou o cirurgião plástico ao site Futurity, que publica as descobertas científicas de universidades de todo o mundo.

A American Academy of Facial Plastic and Reconstructive Surgery atesta isso mesmo. Segundo dados divulgados pela associação, 55% dos cirurgiões plásticos norte-americanos já receberam pacientes que queriam melhorar a sua imagem para ficar melhor nas fotos. Assustador? Talvez. Sobretudo se tivermos em consideração que tudo se resume a uma distorção provocada pelas câmaras do telemóvel.

Juntamente com Ohad Fried, investigador na Universidade de Stanford, Boris Paskhover criou um modelo matemático que explica esta distorção. Publicado na revista “JAMA Facial Plastic Surgery”, esta imagem prova como o smartphone é de facto capaz de distorcer a perceção que temos do tamanho do nosso nariz. O aumento da base do nariz pode ser de 30% no caso dos homens e de 20% nas mulheres numa selfie tirada a cerca de 30 centímetros da cara. Já a ponta do nariz pode aparentar ser 7% maior do que é na realidade.

“Quero que eles percebam que quando tiram uma selfie estão essencialmente a olhar para um espelho de distorção portátil”.

Em entrevista à MAGG, o fotógrafo profissional Pau Storch não tem dúvidas: o estudo faz todo o sentido. “Um iPhone da Apple tem uma lente com um distância focal equivalente a 29 a 35 milímetros. Na fotografia, uma objetiva normal para o formato 35 milímetros é a 50 milímetros.”

E porque é que isto é importante? Porque “uma 35 milímetros é considerada uma grande angular e distorce a realidade, recolhendo mais informação que aquela que o olho humano vê”. Há portanto uma deformação dos objetos mais próximos, neste caso o nariz. “A distância ideal para tirar uma selfie com o telemóvel é de 1,5 metros do rosto.”

A não ser que tenha uns braços anormalmente grandes ou utilize um selfie stick, isto não é possível. Mas há truques e dicas que podem ajudar a conseguir uma foto melhor. Veja a seguir as dicas de Pau Storch.

A luz é essencial

Procure sempre utilizar a luz natural e de preferência à sombra. O sensor da câmara consegue melhores resultados com este tipo de luz, assim como a luz artificial tende a distorcer a cor da pele e evidenciar pequenas imperfeições. Evite fotografar em contraluz. Se, por exemplo, tiver uma janela, fotografe de frente para a mesma.

Use o timer

Se realmente tem os braços curtos, a solução passa por colocar o telemóvel na vertical e estabilizado, configurar o timer de três ou dez segundos e tirar a selfie sem distorções.

O fundo também é importante

Numa selfie temos de ser o centro das atenções e não podemos ser ofuscados pelo fundo. Evite fundos com muita informação, padrões ou cores saturadas.

Os filtros podem fazer milagres

Pesquise os filtros do Instagram ou outra app e descubra o melhor filtro para o seu tom de pele. Um filtro quente ou alaranjado pode dar aquele bronze a quem tem a pele muito branca.

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