Como é que o exercício físico melhora o nosso cérebro

A memória a a concentração diminuem com a idade. Mas é possível que o treino preserve estas características. E que forme novas células.

Melhora o sono, o humor e alivia o stress. Mas também preserva a memória e a produção de novas células

Redd Angelo/Unsplash

Fortalece os músculos e acelera o metabolismo, o que ajuda a perder peso. O corpo fica mais contornado, mais magro — caso a alimentação seja boa. Estas são as vantagens mais evidentes do exercício físico. E são os principias motivos que levam as pessoas aos ginásios, aos personal trainers e às aulas de grupo.

Um estudo realizado em 2008 demonstrou que em humanos e animais o exercício melhora o humor e as capacidades cognitivas. A atividade física também aumenta a neurogénese no hipocampo, uma área importante para a aprendizagem e memória.

Mas há outras vantagens, menos evidentes, mas tão ou mais importantes. Treinar mexe com o cérebro. E esta interferência vai além da melhoria na qualidade do sono, do alívio do stresse ou de um bom humor. O exercício torna-o mais rápido, preserva as suas capacidades e aumenta a sua elasticidade.

“A evidência e o consenso apontam para o facto de o exercício físico ser vantajoso para a atividade cerebral”, diz o investigador da Faculdade de Motricidade Humana Paulo Armada da Silva.

Sentimos com mais força o esforço físico, mas sempre que treinamos também estamos a trabalhar a componente cerebral: “É uma atividade que implica o cérebro, seja para ativar os músculos, manter os estímulos ou o equilíbrio”, explica. “Quanto mais o estimularmos, melhor ele vai funcionar.”

O exercício físico, um estilo de vida ativo e uma atividade cognitiva mais intensa têm um efeito positivo em regiões do cérebro relacionadas com a memória: “Estão associados a um maior volume de algumas regiões do cérebro, incluindo regiões implicadas na função executiva e na memória, como as regiões do lobo frontal do córtex cerebral e a região do hipocampo.”

Mas há mais. O exercício não só potencia estas características, como poderá preservá-las. Ou seja, as vantagens do exercício físico estendem-se até à “prevenção da atrofia cerebral”, que “vulgarmente acompanha o aumento da idade”, e que se traduz numa perda gradual destas mesmas capacidades ao longo da vida.

Um estudo realizado em 2017 pela Springer Science + Business Media mostrou que as atividades cognitivas e físicas são capazes de retardar os efeitos da idade no cérebro. Outro de 2014, da Universidade de Pittsburgh, concluiu que existe uma relação entre atividades físicas cardiorespiratórias e o aumento do volume de áreas do cérebro.

Como é que isto acontece? Segundo o especialista, sabe-se que o cérebro “mantém alguma elasticidade até idades relativamente avançadas”, ou seja, é capaz de produzir células em algumas regiões.

“O aumento do metabolismo cerebral durante o exercício físico poderá criar condições para o aumento da produção e libertação de substâncias”, diz. Esta conjuntura “estimula a capacidade que algumas regiões do cérebro humano — como o hipocampo — têm de formar novas células ao longo da vida”. A esta fenómeno chama-se “neurogénese”.

A obesidade, a diabetes ou as doenças pulmonares são doenças crónicas que, “infelizmente, são muito frequentes.” Estas inflamações podem afetar “negativamente o cérebro”, mas o exercício poderá ajudar a prevenir estes problemas, de acordo com o estudo publicado na Behavioural Neurology: “Outras hipóteses incluem uma ação anti-inflamatória em virtude da atividade física”, diz.

A ação anti-inflamatória resultante da contração muscular, poderá ser um mecanismo importante”, para a memória e outras funções “que dependem de uma função cerebral saudável.”

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