Frigorífico. O maior inimigo do bom ambiente no local de trabalho

Os gestores de recursos humanos continuam a assobiar para o ar perante este assunto sério. Para quando o cargo de supervisor de frigorífico?

Não deve haver assunto mais fraturante num escritório do que a gestão do frigorífico

Não sei o que é que se anda a ensinar nas universidades e em pós-graduações aos diretores de Recursos Humanos das empresas, porque no topo das suas competências nunca aparece o factor mais relevante para a manutenção de um bom ambiente entre colegas: a gestão do frigorífico. As pessoas até suportam, muitas vezes sem reclamar, as injustiças de um chefe, um ano sem aumentos, o facto de o colega não ter colocado papel na impressora, agora colegas que deixam o almoço de há uma semana a azedar no frigorífico, ui, amigos, aí para tudo que é hora de rodar a baiana.

A gestão do frigorífico é um drama real e constante dentro de qualquer empresa. Já trabalhei em sete ou oito escritórios diferentes, grandes grupos e pequenas start ups, e em todas este sempre foi o tema mais fraturante entre colegas, até mesmo entre aquelas mosquinhas mortas que se fazem ouvir, que passam a vida a ser humilhadas pelos superiores e que nunca reclamam quando lhes pisam os calos. Até essas mosquinhas mortas, imagine-se, assim que abrem o frigorífico para tirar o iogurte grego e a frutinha cortada aos cubos mal sentem o cheiro a cadáver de um esparguete com almôndegas que jaz na primeira prateleira há uma semana saltam, iradas, para o grupo privado da empresa que alguém criou no Facebook a indagar sobre quem será o proprietário de tão desprezível tupperware.

Nasce depois um novo fenómeno, curiosamente também nunca explorado: jamais se viu alguém reclamar a propriedade de um almoço fungoso que ficou esquecido no frigorífico. Simplesmente, não acontece. É que eu faço parte desses grupos de Facebook de empresas, e já fiz de outras no passado, e não me lembro de um comentário a uma publicação acusatória sobre um tupperware malcheiroso em que alguém diz simplesmente: “Lamento. É meu. Peço desculpa. Não volta a acontecer”. Nunca aconteceu.

Esta conversa poderia depois entrar por outros caminhos igualmente perigosos, como o da louça que ficou por lavar, o de colegas que levam por empréstimo sem tempo definido pratos, talheres ou canecas de outros colegas, mas isso já obrigaria à escrita de um livro.

Para já, deixo apenas a pergunta: quando é que as empresas entendem que vão ter de passar a nomear um supervisor de frigorífico? É que isto é uma ocupação, que deveria inclusive dar direito a um subsídio extra, e a uma redução de horário de trabalho para que fosse dado a esse supervisor o tempo necessário para a organização e planeamento de assuntos relacionados com o frigorífico. Tanta preocupação com a lei laboral, com a manutenção de espíritos positivos nas empresas e depois destas coisas verdadeiramente relevantes ninguém se lembra.

Na MAGG, só por causa das coisas, ainda não há frigorífico. Quando o novo elemento chegar será acompanhado de uma respetiva promoção de alguém ao cargo de coordenador de frigorífico. Tudo em nome do bom ambiente de trabalho.

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