Música, luzes, muitos copos e animação. A alegria é imensa e merece todos os brindes do mundo. A vida é uma festa e o lema é “Never-Stop-Partying”, como diria Barney Stinson da série “How I Met Your Mother”.

12 horas depois: o cérebro tirou o dia e o organismo está para lá de débil. O mal-estar é generalizado e só consegue estar deitado, não vá a cabeça explodir. Apesar de mentirosa, a jura é sempre a mesma: “Nunca mais bebo”.

Uma ressaca na idade adulta é muito diferente de uma ressaca na adolescência. Conforme se somam os anos, mais decadentes e duras são as consequências de uma noite de farra — e às vezes podem durar alguns dias. A semana vai começar mais devagar e é tudo devido aos excessos (mesmo assim bastante mais moderados do que antigamente) daquela noite feliz do fim de semana.

O corpo não perdoa. Ou não tem nada a ver com isso?

Falar sobre a ressaca é, de acordo com o médico Tiago Pacheco, do centro de saúde USF Ribeirinha, no Seixal, entrar “num campo muito cinzento”. Isto porque não há estudos conclusivos que expliquem o porquê desta sensação de mal-estar. “A melhor explicação” está relacionada com a desidratação. Ou seja, perde-se água, o cérebro fica desidratado e o desconforto instala-se — com muita intensidade.

Sobre a relação com a idade, o médico acredita que “com o avançar dos anos, o corpo vai perdendo a capacidade de se adaptar a situações de stresse”, explica à MAGG. Ou seja, o facto de nos sentirmos pior conforme vamos ficando mais velhos, “poderá estar relacionado com a disponibilidade física, que vai diminuindo.” No entanto, isto é “uma teoria, uma super suposição” porque “nunca ficou demonstrado.”

A professora de psicologia clínica da Universidade de Los Angeles Lara Ray diz ao “New York Times” que, mais do que a idade, o problema poderá estar relacionado com “uma menor intolerância ao álcool.” Com a idade passamos a sair menos à noite, logo o corpo deixa de estar tão habituado aos excessos. Quando isso acontece, demora mais tempo a recuperar.

A mesma especialista aponta outro fator: com a idade perdemos massa muscular e ganhamos massa gorda. Assim, a mesma bebida vai causar “mais intoxicação no corpo”. No entanto, continua, esta condicionante fará mais sentido em “alguém com mais de 65 anos do que em alguém com 40.”

Tiago Pacheco tem algumas reticências em relação a esta última condicionante: “Tenho dúvidas de que isso seja assim porque, dessa forma, alguém que vá mais ao ginásio e tenha mais massa muscular, terá uma capacidade muito superior de suportar uma ressaca.”

Como atenuar os efeitos? Tanto Tiago Pacheco como Lara Ray sugerem beber mais devagar e alternar sempre com água que “ajuda a diluir o álcool.” O médico sugere ainda uma hidratação mais consistente no dia em que se prevê uma ingestão de álcool superior, de forma a evitar ressacas terríveis. E, claro, não misturar bebidas e, ainda mais importante, a moderação e controlo — é que, sem isto, nem a água o vai salvar.