Nos últimos meses, é provável que tenha sentido que se transformou no Electro, o vilão do Homem-Aranha que ganhou a capacidade de controlar a eletricidade depois de ser atingido por um raio. Bem, “controlar” talvez não seja o termo mais apropriado — a verdade é que a eletricidade estática tem a capacidade de o apanhar desprevenido, seja quando abre a porta do carro ou cumprimenta uma pessoa.

Há dois momentos nas nossas vidas em que percebemos que somos mortais: quando cortamos o dedo com uma folha de papel e quando apanhamos um choque ao tocar em objetos ou pessoas. No primeiro caso é possível evitar o problema sendo mais cuidadoso, no segundo não há lá grande coisa a fazer. Até porque por esta altura do ano eles são mais frequentes. Pois é, o inverno traz mais problemas além das gripes e constipações.

Quando apanhamos um choque elétrico, há uma descarga elétrica que atravessa o corpo humano. Pode ser extremamente perigoso, sobretudo quando entra por uma mão e sai pela outra — uma vez que passa por órgãos fundamentais, como por exemplo o coração, os danos podem ser irreversíveis.

Mas não é preciso ter as mãos molhadas e tocar numa ficha elétrica para apanhar um choque. Há alturas em que basta tocar numa pessoa ou num objeto para sentir uma descarga elétrica, que apesar de inofensiva consegue provocar uma dor fulminante durante uns milésimos de segundo. Ela também pode manifestar-se quando os nossos cabelos ficam em pé, como se os nossos fios estivessem a ser puxados um a um por mãos invisíveis. O culpado? A eletricidade estática.

O corpo humano é condutor de eletricidade. De um modo geral somos neutros, isto é, temos o mesmo número de protões e de eletrões. A acumulação de cargas estáticas, porém, pode originar um desequilíbrio nas contas. Assim, a carga elétrica aumenta até ser dissipada noutro objeto ou corpo que tenha uma carga oposta ou neutra.

Porque é que apanhamos mais choques no inverno?

Há duas explicações para este fenómeno: o tipo de roupas que usamos nesta altura do ano e a baixa humidade. Comecemos pela primeira. No inverno, é normal usarmos várias camadas de roupa, em particular feitas a partir de fibras artificias, lã e pêlo sintético. Isso torna os choques mais frequentes, uma vez que esses materiais mantém a carga elétrica. É por isso que quando tiramos uma camisola interior de lã, por exemplo, conseguimos sentir os pêlos dos braços a arrepiarem-se, ou até ouvir pequenos estalos.

Outro factor é a humidade. No inverno, quando não chove, o ar frio tem menos vapor de água na atmosfera do que no verão, o que leva a uma maior acumulação de eletricidade estática. Com a chuva que se tem feito sentir nos últimos dias diminui pois a probabilidade de choques elétricos — o vapor de água no ar conduz bem a eletricidade, permitindo que qualquer carga acumulada nos nossos corpos se dissipe no ar.

Se conseguir livrar-se das fibras artificias, lã e pêlo sintético, pode ser que acabe de vez com os choques elétricos. Andar descalço também ajuda: as solas de borracha permitem uma maior acumulação de carga, uma vez que a borracha é uma material isolante. Se estiver descalço, porém, a energia em excesso é libertada para o chão.