Entrou numa padaria. Apetece-lhe um croissant. Já decidiu: não vai resistir. Mas tem de fazer uma escolha: versão integral ou versão branca? O bolo escuro é melhor ou vai tudo dar ao mesmo?

Seja um croissant, um palmier, um queque, bolachas ou pão, aquilo que faz a diferença é o tipo de farinha utilizada. O produto integral tem mais fibra, um micronutriente com vários benefícios para a saúde.

“Melhora os níveis de glicémia, limita a absorção da própria gordura e tem um efeito mais saciante — ou seja, ficamos com menos fome e, por isso, vamos comer menos e, ingerir menos energia”, explica à MAGG a nutricionista Ana Lucia Silva.

Se compararmos apenas as farinhas, as versões mais escuras destes bolos serão mais saudáveis: “Optar por farinhas integrais faria destes produtos opções menos prejudiciais à saúde”, diz a nutricionista Mariana Abecasis.

Mas um alimento não se faz de um nutriente. Faz-se de vários. E nestes casos, continuam presentes os perigos de sempre: ainda há muito açúcar, ainda há muita gordura e um número de calorias exagerado. Consumidos em excesso, aumentam os riscos de excesso de peso, de diabetes ou de aumento de colesterol. Segundo a mesma especialista, em alguns destes produtos, poderá até haver uma adição superior ao normal, de forma a chegar-se ao sabor ideal. 

O integral está associado ao saudável, por isso corremos o risco de pensar que estes produtos de pastelaria também o são, levando-nos a comer com mais frequência ou em maior quantidade, sem o ‘sentimento’ de culpa ou de responsabilidade a que o consumo dos bolos ‘normais’ pode levar”

Olhar para um guardanapo que carregue um destes bolos bastará para perceber que a quantidade de gordura é grande: “Se aquecermos um croissant, ele explode gordura”, diz Ana Lúcia Silva. E acrescenta: “E é gordura saturada, aquela que está associada a problemas cardiovasculares.

O rótulo “integral” pode ser um ilusão e por isso é preciso ter cuidado. “Em consulta noto muito esta associação: ‘Se for integral ou se for comprado na zona dos produtos dietéticos dos supermercados, então é bom e posso comer diariamente'”, relata Mariana Abecasis. “O integral está associado ao saudável, por isso corremos o risco de pensar que estes produtos de pastelaria também o são, levando-nos a comer com mais frequência ou em maior quantidade, sem o ‘sentimento’ de culpa ou de responsabilidade a que o consumo dos bolos ‘normais’ pode levar”.

Integrais ou não, são bolos e, por isso, “devem ser a exceção e não a regra”, alerta Mariana Abecasis. As duas especialistas concordam que se numa destas exceções tiver de escolher, então que venha a versão mais escura. Os produtos com farinhas refinadas (ou brancas) criam altos picos de energia, que são seguidos de quedas bruscas. Resultado: depois de um croissant branco, vai querer outro. E outro. E outro.

Com as versões integrais, consegue travar-se este efeito de desconsolo continuo: “Serão melhores os integrais por serem mais ricos em fibra, o que, além de melhorar a digestão, promove uma absorção mais lenta, que se reflete num poder de saciedade superior. E isso poderá ajudar a reduzir o consumo.”