A 30 de junho de 1993, após uma reestruturação do exército português, a unidade militar de Sacavém, em Loures, ganhou um novo nome: Batalhão de Adidos. Em setembro desse mesmo ano, José começou a fazer segurança no local juntamente com outros militares.

“O Batalhão de Adidos foi herdeiro de uma outra unidade, a do Batalhão do Serviço Geral do Exército, sediada no Largo da Graça”, conta o lisboeta de 54 anos à MAGG. “Fomos para lá em 1994, estava desocupado desde finais de 1992.”

Até a mudança ser oficial, todos os dias havia um grupo a garantir a segurança da unidade, cada um com cinco elementos.

“Na altura aquela zona era muito complicada. Estávamos nos tempos mais conturbados da Quinta do Mocho. Foi também quando houve um grande incêndio em Camarate, e a unidade de desalojados foi montada nuns edifícios que hoje já não existem, do outro lado do jardim.”

A história do Batalhão de Adidos remonta a 20 de agosto de 1833, quando abriu como Depósito Geral Militar. Mais tarde foi o Depósito Geral de Adidos, mais tarde ainda o Batalhão do Serviço Geral do Exército. Em 1993, foi renomeado Batalhão de Adidos.

Passavam por lá centenas de recrutas por ano — diria 400 a 600 por ano. Quanto ao pessoal efetivo, eram 60.”

Tinha duas funções: providenciar formação na área do pessoal e secretariado; e dar apoio administrativo-logístico a vários estabelecimentos e órgãos do Governo Militar de Lisboa.

“Passavam por lá centenas de recrutas por ano — diria 600 a 800 por ano. Quanto ao pessoal efetivo, eram cerca de 60.”

Desativado em 2006, as valências, em termos de formação foram transferidas para a atual Escola Prática dos Serviços na Póvoa do Varzim. Já o apoio administrativo e logístico foi entregue a outras unidades. Só que o carinho pelo Batalhão de Adidos permaneceu intacto — tanto que, 12 anos depois, ainda se realiza anualmente um almoço-convívio dos militares que prestaram serviço no local. Acontece normalmente à volta do dia 1 de julho, o dia festivo do Batalhão de Adidos.

“Cada unidade uma data, o nosso era 1 de julho. Geralmente é no primeiro sábado de julho, e cerca de 40 a 50 pessoas costumam participar nos almoços. Há muita saudade.”

Com um total de 103 mil metros quadrados, o imóvel incluía (e ainda inclui) o antigo Mosteiro das Clarissas, do século XVI. Fundado pelo escrivão de D. Sebastião, Miguel Moura, foi na sua quinta de Sacavém que foi lançada a primeira pedra. As obras duraram 19 anos.

Oferecido às Clarissas, a ordem fundada por Santa Clara, manteve-se ativo ate 1877. Nesse ano, passou para o Ministério de Guerra. Quando o Batalhão de Adidos estava em funcionamento, era aqui que ficava o edifício de comando, onde funcionavam as secções do Estado Maior — secções pessoal, financeira, de instrução, gabinete do comandante, biblioteca, entre outros.

“O convento tinha uns azulejos únicos que, ou foram roubados, ou estão em elevado estado de degradação. Estavam no edifício de comando, o núcleo central. Havia ali um jardim interior onde tudo à volta estava coberto de azulejos. Estudantes de diversas áreas iam lá de propósito só para os ver.”

As salas de aulas não funcionavam aqui. O bloco de aulas ficava num edifício um pouco mais acima, com dois pisos.

Além da formação na área do pessoal e secretariado, o Batalhão de Adidos também dava apoio a todos os militares adidos que estavam colocados no Governo Militar de Lisboa. “Havia muitos militares de outras unidades que não tinham alojamento e alimentação nos locais onde estavam destacados, por isso era no Batalhão de Adidos que comiam e dormiam.”

Em 2006, a unidade foi desativada na sequência da reestruturação do exército. O quartel passou para a empresa Estamo S.A., no entanto a Câmara de Loures podia exercer o chamado direito de preferência. Nos termos da lei, as câmaras têm preferência na aquisição de alguns imóveis — seja devido à localização, seja porque há edifícios classificados de interesse público ou em vias de serem classificados como tal. Seria o caso da Igreja Matriz de Sacavém, que fica mesmo ao lado do Batalhão de Adidos — estão separados por um muro.

Só havia um problema: a igreja não estava em vias de classificação para se tornar num imóvel de interesse público. Um ano depois, a Direcção-Geral do Tesouro e Finanças assumiu o erro. No final desse ano, deu-se a venda em hasta pública a um privado.

Apesar de tudo, a Câmara de Loures terá sempre uma palavra a dizer sobre o que vier a acontecer a seguir neste local. O espaço está classificado como equipamento militar, logo o proprietário terá sempre de seguir as diretrizes municipais quando estiver em causa a alteração no imóvel.

Só que parece não haver planos nenhuns para o velhinho Batalhão. Abandonado há mais de uma década, o edifício começa a apresentar elevados sinais de degradação.

“Era uma grande família militar. Ver como está hoje dá uma sensação de tristeza e desalento. Demos muito de nós ali, lutámos pela unidade e pelas instalações. Foi lamentável.”

Um fotógrafo esteve no Batalhão de Adidos e encontrou entulho, lixo, azulejos partidos e alguns móveis e documentos esquecidos. Está lá tudo dentro, a mercê da passagem do tempo. E à espera de melhores dias.