“Who Wants To Live Forever”, já diziam os Queen. A famosa canção da banda liderada por Freddie Mercury foi percursora de um estudo divulgado recentemente que afirma que as pessoas não querem mais anos de vida, se isso significar menos saúde e dependência de terceiros.

Apesar da longevidade ser um grande argumento para muitos produtos, como por exemplo ginásios que querem passar a mensagem do exercício ser sinónimo de maior longevidade, o estudo publicado em dezembro último no Journal of Aging Studies, e realizado na Alemanha, nos Estados Unidos da América e na China revela que nem sempre as pessoas desejam anos extra no final das suas vidas.

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A maioria dos 90 participantes do estudo (30 de cada país), que tinham 62 anos de idade ou mais, afirmaram que a saúde seria sempre prioridade em relação à longevidade, preferindo apenas mais anos de vida se estivessem razoavelmente saudáveis.

A saúde em primeiro lugar

“Quero todos os anos que puder ter, desde que exista qualidade de vida”, disse um dos inquiridos, do sexo masculino e com 75 anos. E esta foi uma resposta comum a cerca de metade da amostra participante.

Apesar de os resultados deste estudo serem mais demonstrativos do que definitivos, dado que os participantes foram recrutados na sua maioria em centros de dia e com recurso ao “passa a palavra”, cerca de metade deste grupo até desejava viver o máximo que lhes fosse possível. Mas apenas e só se mantivessem a sua independência, faculdades mentais e motoras e, acima de tudo, se não se tornassem fardos na vida de terceiros.

Vários entrevistados relataram casos de pessoas que conheciam que viveram bastante tempo, mas sem qualidade de vida ou saúde no geral. Uma mulher de 73 anos chegou a referir-se a um conhecido como um “inválido que não conseguia fazer nada sozinho”, afirmou, concluindo que “não desejava isso ao meu pior inimigo”.

Há quem queira mesmo viver para sempre — e também quem já esteja “despachado”

Embora a saúde seja o grande motivador de vários intervenientes do estudo, também houve lugar para aqueles que querem viver até lhes ser possível, independentemente da qualidade de vida. Foram cerca de 14 pessoas mas, mesmo assim, afirmaram que gostariam de ter algo que as motivasse, uma meta a atingir, como ver os netos crescer, por exemplo.

Do outro lado do espectro, estão os participantes que consideram que já viveram o suficiente e, por eles, estavam prontos para o fim. “Gostava de partir amanhã”, disse uma mulher de 84 anos. Da mesma idade, um homem afirmou que tinha vivido uma vida preenchida e sabia “que não ia acrescentar nada. Foi uma boa viagem, mas não sei o que iria acrescentar mais”.