A história de Capitán, o cão que guardou o túmulo do dono durante 11 anos

Ninguém sabe como é que o animal descobriu o cemitério. Sabe-se apenas que nunca abandonou o túmulo apesar de o quererem levar para casa.

O cão percorria todo o cemitério mas às seis da tarde deitava-se junto ao túmulo do dono

La Voz

Não é a história de Lassie, mas é uma história real. Capitán não nasceu num livro nem faz parte de um filme ou série televisiva como a cadela mais conhecida do cinema, mas tomou uma decisão que merece ser contada. Tanto é assim que a sua morte, numa pequena vila da Argentina, foi notícia em todo o mundo na semana passada.

Capitán entrou na vida dos Guzmán, em 2006 quando Miguel ofereceu o cão ao filho, Damián. Um ano depois o pai morreu e o cão passou a dormir fora de casa, talvez na esperança de o ver chegar a qualquer instante. O dono não voltou, e Capitán, quando se apercebeu da longa ausência de Miguel, simplesmente desapareceu, conta Veronica, a viúva, ao jornal “La Voz”. A família nunca mais soube dele, temendo o pior.

Até que um ano mais tarde, numa visita ao cemitério, reencontraram o pastor alemão. Capitán rapidamente os reconheceu, e embora tenha permanecido com eles durante breves instantes, depressa os abandonou de novo para ir para junto do túmulo de Miguel. Veronica, que sempre se mostrou reticente à presença de Capitán em casa, hoje reconhece-lhe a lealdade ao marido e não esconde a emoção cada vez que relata a forma como  o cão sempre permaneceu ao lado de Miguel, ano após ano. A história tornou-se conhecida, extravasou as fronteiras argentinas e emocionou todos os que a liam. Nunca ninguém soube explicar como é que o cão foi capaz de chegar ao cemitério onde dormia todas as noites, sem exceção, sobre o túmulo do dono. Segundo Veronica, Miguel morreu no hospital Carlos Paz, muito longe da residência familiar, sendo que em nenhum momento Capitán os acompanhou ao local.

Habitantes da vila querem homenagear o amigo de quatro patas

A verdade é que durante 11 anos, Capitán recusou-se a abandonar o local onde estava o corpo, ainda que a família tenha tentado várias vezes levá-lo para casa. “O cemitério passou a ser a casa de Capítan”, recorda Marta, florista, ao jornal “La Voz”, que todos os dias o via a vaguear sem rumo dentro do cemitério até às seis da tarde, “momento em que ia para a sepultura de Miguel e ali permanecia toda a noite.”

Segundo os responsáveis do espaço, que durante todo este tempo alimentaram e cuidaram de Capitán, era o amor e a lealdade que este sentia pelo dono que o impediam de ir para outro lugar.

Contudo, com o passar dos anos a saúde do animal foi pouco a pouco sofrendo drásticas alterações. Christian Stempels, o veterinário que o acompanhou até ao final, contou à publicação “Daily Sabah” que “durante muito tempo, Capitán sofreu de insuficiência renal crónica” e que, apesar dos tratamentos especiais, como a adoção de uma dieta rigorosa e a administração de antibióticos, a doença o debilitou e terá sido esse o factor determinante para o processo de deterioração.

Capitán acabou por morrer esta semana, com 16 anos, nas imediações do cemitério e já são vários os habitantes da vila que, comovidos com a história, o querem homenagear. É que durante todo este tempo “lhes ensinou uma lição muito valiosa acerca dos valores primários que todos nós devemos preservar”, diz Héctor Baccega, diretor do cemitério, que corrobora os testemunhos da família e de todas as pessoas daquele espaço que diariamente lidavam com Capitán.

Enquanto não decidem como honrar a história deste cão, os habitantes da Villa Carlos Paz, na província de Córdoba, puseram a correr uma petição para que o corpo de Capitán seja enterrado no mesmo cemitério em que Miguel está sepultado e onde passou a maior parte da sua vida. Como se assim o seu desejo de estar perto do dono se perpetuasse no tempo.

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