Ao fim de sete anos de relacionamento, Jennifer Aniston e Justin Theroux separaram-se. O anúncio foi feito pelo próprio casal no dia 15 de fevereiro. Poucas horas depois, os fãs invadiram o Twitter eufóricos: pela primeira vez em 13 anos, tanto Brad Pitt como Jennifer Aniston estão solteiros. Será desta?

Eles eram o casal mais querido da América. Pelo menos até Brad Pitt e Angelina Jolie contracenarem em “Mr. e Mrs. Smith” e se apaixonarem perdidamente. Pitt e Aniston separaram-se em 2005, após cinco anos de casamento. A eterna Rachel Green de “Friends” ficou para sempre com a fama de coitadinha, Brangelina (nickname do par Angelina/Brad) transformou-se no casal mais famoso de Hollywood. Foi assim até Angelina Jolie pedir o divórcio em setembro de 2016.

Será a vez de Jennifer Aniston e Brad Pitt voltarem? Os fãs pedem, a imprensa norte-americana também. Nós ficamos na dúvida: será que faz sentido voltar a um amor do passado? Francisco Amaral conta-nos a sua história de sucesso, Joana (nome fictício) a de insucesso. No final a psicóloga Sofia Taveira analisa tudo — e diz-lhe quais são as duas perguntas que tem de fazer a si próprio.

Francisco reencontrou-se com o primeiro amor 15 anos depois — estão casados desde então

Francisco Amaral, realizador e produtor do programa de culto de rádio “Íntima Fracção”, tinha 15 anos quando teve a primeira namorada. “Era um namoro com todas as limitações da altura”, recorda o radialista de 67 anos. “Éramos muito novinhos, mas fiquei muito marcado por essa relação.”

Os dois viviam em Coimbra, e namoraram até aos 18, 19 anos. Entretanto ela partiu para Lisboa, mais tarde ele também. O afastamento acabou por ditar o fim da relação. “Não houve uma zanga, aquele dia tal em que tudo terminou. Tínhamos interesses e vidas diferentes, acabámos por afastarmo-nos.”

Os sinais que o corpo nos dá quando o amor acabou

Só que Francisco Amaral nunca mais esqueceu aquele primeiro amor. Os dois seguiram as suas vidas, casaram e tiveram filhos. Não mantiveram o contacto — nos 15 anos que se passaram até se voltarem a reencontrar, devem-se ter visto no máximo quatro vezes. E apenas isso, viram-se. Não chegaram sequer a falar.

“Um dia, um amigo que tínhamos em comum contou-me que ela se tinha divorciado. Eu também me tinha divorciado, por isso tomei a iniciativa de lhe ligar. Ela ficou muito admirada, mas combinámos encontrarmo-nos para nos revermos e falarmos.”

Foi como se tivesse estado com ela no dia anterior. Foi uma sensação nítida, parecia que tinha estado com ela ontem. Parecia que ainda era adolescente na véspera.”

O que aconteceu naquele dia foi algo que Francisco Amaral nunca mais vai esquecer. Com a mesma intensidade com que não esquece o dia em que a conheceu, desde o sítio onde estavam até às condições meteorológicas.

“Foi como se tivesse estado com ela no dia anterior. Foi uma sensação nítida, parecia que tinha estado com ela ontem. Parecia que ainda era adolescente na véspera.”

Dois meses depois estavam a viver juntos. E só demorou tanto tempo porque foi necessário montar toda uma logística devido aos filhos dos casamentos anteriores — ele tinha uma, ela dois. Nem todos os momentos foram perfeitos, como qualquer casal tiveram problemas e desafios. Mas nunca, em momento algum, se arrependeram de ter voltado a olhar para aquele amor do passado. Valeu a pena. Continua a valer, na verdade — já lá vão 30 anos e continuam juntos.

“Depende de pessoa para pessoa, cada caso é um caso. No meu passou da adolescência para a fase adulta, não foram três ou quatro anos de rutura. É diferente. Para mim fazia todo o sentido. Quando me reencontrei com ela e senti que era como se tivesse estado com ela na véspera… foi tão estranho. Nem pensei duas vezes.”

Francisco Amaral não tem dúvidas: há casos em que não vale a pena ficar a remoer um amor do passado que nunca se esqueceu. “Se tiver oportunidade, acho que se deve ligar. Se tem um grande amor por alguém e conseguir reencontrá-lo, porque não fazê-lo?”.

Joana regressou ao passado — e não correu bem

Há um ano e meio que Joana e Ivo (nomes fictícios) trabalhavam no mesmo sítio. Não tinham uma relação próxima, nem sequer podiam considerar-se amigos. Só que havia ali qualquer coisa difícil de explicar. “As sensações estavam no interior e não no exterior”, diz à MAGG Joana, de 50 anos.

Ele era casado, ela tinha um namorado. Um dia, de forma quase inexplicável, decidiram ir almoçar juntos. E o amor aconteceu.

“Admitimos que gostávamos um do outro e tomámos decisões sobre o que fazer. Ele saiu de casa, eu terminei a relação que tinha.”

E começaram a namorar. Joana tinha na altura 28 anos. Não foi fácil: havia muita paixão, é verdade, mas também muitos conflitos e problemas. “Começámos e terminámos 50 mil vezes. Era uma relação em que não se conseguia pôr um fim definitivo.”

Da primeira vez que acabaram, estiveram separados poucos meses. À segunda, foram dois anos. Joana admite que foi uma altura complicada, em que não conseguiu conectar-se com outra pessoa. Talvez isso tenha contribuído para decidir dar uma nova hipótese ao relacionamento anterior quando Ivo reapareceu na sua vida.

Começámos e terminámos 50 mil vezes. Era uma relação em que não se conseguia pôr um fim definitivo.”

“Achei que havia alguma coisa pré-determinada, que havia algo por resolver uma vez que não tinha aparecido ninguém naqueles últimos dois anos. Talvez houvesse um caminho a ser feito.”

Ivo também parecia diferente: o discurso tinha mudado, parecia estar com vontade de corrigir os erros do passado. Só que na realidade estava tudo igual — eles eram as mesmas pessoas do relacionamento anterior.

“Tomei a decisão radical de irmos viver juntos, algo que nunca quis fazer antes. Isso aconteceu no início de fevereiro, em maio eu já queria vir-me embora. O conflito continuava instalado, não tinha desaparecido. O discurso não tinha alterado, a energia era a mesma, a dinâmica entre nós estava igual.”

Quando Joana decidiu separar-se, descobriu que estava grávida. Decidiu ficar e tudo piorou: a pressão das noites sem dormir, a confusão de ter um bebé em casa, as hormonas ao rubro.

“Foi escalando. Passámos da agressão psicológica para a agressão física. Ainda continuei durante mais três anos. Houve uma altura em que ele saiu de casa, não sei para onde, e eu coloquei a questão da separação. Só que ele não me respondia e eu não sabia onde estava. Um dia, perto do Natal, chegou a casa e disse-me para eu sair. Fui expulsa de um momento para o outro.”

Com uma filha pequena, Joana teve apenas um mês para encontrar uma nova casa. Lidar com a revolta foi muito complicado, assim como tudo o que veio a seguir — desde a discussão dos deveres parentais até à divisão dos candeeiros. Oito anos depois, Joana e Ivo têm uma relação meramente “informativa” sobre a filha. Mais nada.

As notificações do WhatsApp dele perturbam-me. Falta de confiança ou insegurança?

“Imagino que deva haver histórias muito diferentes, mas aquilo que me apercebi é que as pessoas têm um padrão de comportamento e um padrão emocional. Se a relação não funcionou antes, esse é um grande sinal de alerta de que não vai funcionar outra vez.”

Para Joana, uma coisa é quando as pessoas se separam por motivos externos — ou porque foram viver para sítios diferentes ou por divergências profissionais, “como ele decidir que vai trabalhar para a NASA e ela que quer plantar batatas. Resolvido isso, pode ser que dê. Agora, ou há uma mudança bastante grande de ambas as partes, ou então nem vale a pena.”

Temos cada vez mais medo de ficar sozinhos — e isso não é razão para voltar atrás

Não há uma resposta certa sobre se faz sentido ou não voltar atrás. Mas há duas perguntas que são fundamentais quando se pensa em regressar a uma relação do passado: primeira, ”o que é que levou à rutura?”; segunda, “porque é que vale apena apostar nesta nova relação?”.

“É essencial refletirem sobre isto”, explica à MAGG Sofia Taveira, psicóloga clínica. “Para começar uma nova relação — atenção, nova relação, não é um reatar —, tudo o que ficou para trás terá mesmo de ficar arrumado, e perdoado se houver algo para perdoar.”

É preciso refletir sobre o porquê do relacionamento ter acabado. No caso de Francisco Amaral, explica a psicóloga clínica, o facto de serem adolescentes era bastante relevante. Ainda eram muito novos, tinham um mundo inteiro por descobrir. Além disso, não houve uma mágoa efetiva que levasse ao fim do relacionamento. Apenas a vida.

“No segundo caso o retomar da relação foi por impulso. Como não apareceu mais ninguém que suscitasse algo, ficou a dúvida sobre como é que seria desta vez. Não pode ser assim. Cada vez mais as pessoas têm medo de ficar sozinhas. E isso é um motivo-chave para voltar para antigos relacionamentos. ‘Aquilo eu já conheço, já sei como é’. As pessoas andam neste círculo vicioso. É preciso parar e dizer: ‘Calma, não. Vamos refletir’.”

Cada vez mais as pessoas têm medo de ficar sozinhas. E isso é um motivo-chave para voltar para antigos relacionamentos. ‘Aquilo eu já conheço, já sei como é’.”

É preciso avaliar. O que é que levou ao fim da relação, porque é que não resultou e o que é que resultou que era benéfico para os dois. Tudo deve ser percebido e analisado entre os dois antes de avançarem.

“A razão que levou a terminar a anterior relação tem um peso gigante na nova relação. Quando acabas, o que fica mais na memória é o porque é que acabou. A pessoa tem de perceber se o motivo da rutura é algo aceitável, passível de ser melhorado, ou se de facto faz parte da personalidade do outro e não vai mudar.”

Para Sofia Taveira, a resposta não é assim tão difícil. “Temos de ser verdadeiros connosco. As pessoas sabem. Tentam é enganar-se”.