Não é um truque de magia. É biológico e está relacionado com a resposta do organismo a determinados estímulos. É possível, mas só com esforço. E muito suor. Chama-se a isto o efeito EPOC. A expressão é estranha, mas corresponde ao fenómeno capaz de fazer o corpo continuar a queimar um número de calorias acima do normal no pós-treino, durante um período prolongado de tempo. Basta estar parado e pode até estar a dormir.

“O efeito EPOC [Excess Post Exercise Oxygen Consumption] é o aumento do consumo do oxigénio depois do exercício”, explica Paulo Armada da Silva, professor do departamento de Desporto e Saúde da Faculdade de Motricidade Humana da Universidade de Lisboa. “Indica que o nosso metabolismo de repouso [calorias gastas para cumprir funções vitais] aumentou, pelo conjunto de alterações orgânicas resultantes do exercício.”

O resultado maravilha não aparece com qualquer método de exercício físico. O mais eficaz é o mais intenso e que envolve o trabalho dos músculos, como a tabata, o CrossFit ou treino em circuito, intervalado e de alta intensidade. Segundo o professor, “alguns estudos afirmam que o EPOC pode perdurar até 48 horas após treinos de força muscular intensos.”

Pedro Almeida, fundador e responsável pela empresa de personal training Treino em Casa criou um plano de treino de alta intensidade capaz de gerar este efeito. Mas atenção: para lá chegar, terá mesmo de dar tudo. Margarida Santos, autora do blogue Operação Ano Inteiro, exemplifica os exercícios.

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Porque é que o corpo reage assim?

A explicação é complexa. Mas também é lógica. O EPOC nasce do esforço que o organismo faz para voltar ao normal. Quanto maior a intensidade do desporto, maior será a acção dos processos metabólicos (síntese proteica, acção continuada das hormonas ou o aumento da temperatura corporal) que o organismo desencadeia para se restabelecer. Basta pensar que estas respostas internas demoram, dão trabalho e que precisam de calorias.

“Durante o exercício usamos um conjunto de substratos energéticos, que é uma espécie de material em reserva que utilizamos para obter energia. Nas horas seguintes temos de as repor. Estes processos têm um custo energético associado.”

Mas de quantas calorias extra estamos a falar? O especialista analisou um estudo e concluiu que o acréscimo deverá rondar as 200 calorias, num treino onde se perderam entre 300 a 400, resultando em 600 calorias, no máximo. Para chegar a este valor, Paulo Armada teve como referência “um acréscimo de 10% do consumo de oxigénio de repouso nas 24 horas horas seguintes e um dispêndio energético diário de 2000 calorias para um jovem do sexo masculino ativo [no feminino será bastante mais baixo].”

O valor poderá não corresponder às expectativas. Mas não desanime. Segundo o mesmo especialista, alguns estudos têm sugerido que este tipo de treino também afeta a forma como comemos, resultando numa perda de apetite. Ou seja, ao mesmo tempo que vai estar a gastar mais calorias, vai estar a ingerir menos. E esta é a equação fundamental para qualquer regime de perda de peso. Com ou sem EPOC.