Tiago Santos, 34 anos, já trabalha há alguns anos na área do fitness, como personal trainer. Pela sua experiência, começou a acreditar que nem todos os princípios deste mercado são corretos: “Promovem o exercício de forma massificada, não personalizada e não têm em consideração as características únicas de cada pessoa”, explica à MAAG. “As pessoas esquecem-se de que vivem dentro de um corpo e é comum alimentarem mal esta máquina maravilhosa”, diz o responsável e personal trainer, natural do Seixal.

Em conjunto com Nuno Ferreira, 34, e Tiago Baptista, 35, abriu um novo espaço de treino, o Functiontal — Estúdio de Treino Funcional, em Lisboa. Fica na Rua António Maria Cardoso, a mesma do Teatro São Luiz, no Chiado. A entrada faz-se pelo número 18, o mesmo que foi a sede da Polícia Internacional e de Defesa do Estado (PIDE).

Aqui não há passadeiras ou máquinas de musculação. Mas há kettlebels, bolas medicinais, halters ou elásticos, por exemplo. A estrutura é esta porque, segundo o PT, os exercício promovidos em aulas de grupo e proporcionados pelos aparelhos de treino dos ginásios tradicionais servem apenas para “poupar recursos e ter, no mesmo espaço, o maior número de pessoas possível a treinar ao mesmo tempo”, sem que, assim, sejam consideradas as especificidades fisiológicas e biomecânicas de cada individuo. Segundo os proprietários, inibem a principal função do corpo, que é a de movimentar-se.

Queremos educar as pessoas para tratarem do seu corpo.O propósito deste método é ir ao encontro da raiz do problema e não apenas dos sintomas.

O serviço do novo espaço pretende contrariar esta tendência, seguindo a Functional Patterns, uma metodologia específica na qual os proprietários têm formação e certificação. Criado por Naudi Aguilar, e com sede em Seattle, Estados Unidos, o método caracteriza-se por ser um tipo de treino alternativo, que visa a reeducação postural e um consequente aumento da qualidade de vida, saúde e bem-estar. Tudo através do treino funcional, como exercícios que permitam uma “otimização fisiológica e biomecânica do corpo.”

O conceito de treino funcional tornou-se popular, mas foi desvirtuado e perdeu-se na cultura massificada do fitness. Segundo Tiago Santos e Nuno Ferreira, treino funcional significa “treinar de forma integrada e sustentável, partindo das capacidades biológicas do corpo, que se apoiam na execução de três ações principais: andar, correr e lançar.”

O Functiontal — Estúdio de Treino Funcional é o novo espaço de treino no Chiado.

Pode parecer estranho, mas a forma como cada pessoa se posiciona reflete a sua história. O corpo humano tem memória e acumula stresse e traumas em pontos de tensão específicos. A ideia desta metodologia de treino passa por descomprimir (ou fazer uma espécie de reset) à fáscia muscular, a rede que liga todo o corpo e que envolve todos os órgãos e células, tal como as linhas que unem um tapete de Arraiolos.

Tudo começa com uma avaliação, diferente daquelas que sucedem nos ginásios grandes. Mais importante do que o peso, a massa gorda ou a rapidez do metabolismo, é entender “quais é que são as principais disfunções do corpo.” Isto faz-se com fotografias em quatro planos específicos (em que se traça uma linha para entender o que é que está errado) e com vídeos que também permitem “entender onde é que estão os pontos mais rígidos e os desequilíbrios.”

“Recorri à Funcional Patterns depois de esgotar todas as alternativas convencionais para tratar lesões que me causavam grande mal-estar. E estou muito melhor”, diz o PT Nuno Ferreira.

Depois, o treino divide-se em três partes, que diferem consoante o diagnóstico: primeiro, há libertação miofascial, que é feita através da descompressão dos pontos de tensão do corpo (é capaz de doer muito); depois, começam os exercícios corretivos, que pretendem devolver a boa postura.

No fim, os exercícios dinâmicos. É nesta última parte que pode treinar para um objetivo específico (emagrecer ou tonificar, por exemplo), mas contemplando sempre o carácter único do corpo, respeitando-o através de movimentos funcionais, nunca estáticos e sempre em movimento.

Com 60 metros quadrados, no Functional — Estúdio de Treino Funcional há duas formas de treinar: ou através de sessões individuais (a partir de 60€ o treino) ou de sessões em grupo com um máximo de quatro pessoas. Há três horários disponíveis: manhã, hora do almoço ou final da tarde. Neste caso, pode optar por treinar uma (60€), duas (80€) ou três vezes por semana (90€). Os preços apresentados são por mês.

Há mais. O ginásio também disponibiliza aulas avulso (15€), pacotes de cinco aulas (80€) e de dez (140€). Pode fazer ainda a avaliação física, que custa 65€ com a oferta de um treino. Não há custos associados à inscrição, nem fidelização.